0Y6A6617

Foto/Divulgação: : Erick Quintanilha

Deputado Professor Josemar (PSOL) solicita pedido de desculpas formal do governo do estado pela morte do menino de São Gonçalo, atingido dentro de casa por tiros de fuzil da Core, em operação policial durante a pandemia

O deputado estadual Professor Josemar (PSOL) vai enviar ofício ao governador em exercício Ricardo Couto solicitando um pedido de desculpas formal do Estado pela morte do menino João Pedro Mattos Pinto, aos 14 anos, atingido dentro de casa, no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, por um tiro de fuzil disparado por policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), da Polícia Civil. A notícia foi anunciada ao final da reunião que marcou, nesta segunda-feira (18), os seis anos da morte de João Pedro, realizada na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) com a presença dos pais do menino, Neilton e Rafaela, integrantes da sociedade civil, ativistas pelo fim da violência policial, além de outras mães de vítimas, articuladas na Rede de Atenção a Pessoas Afetadas pela Violência de Estado (Raave).

Desde que assumiu o mandato de deputado estadual, em 2023, Professor Josemar vem solicitando esse pedido ao governo do estado, sem sucesso. Presidente da Comissão de Combate às Discriminações e Preconceitos da Alerj, o deputado vem exigindo a reparação do estado à família de João Pedro, e lutando para que os policiais da Core responsáveis por sua morte sejam levados a júri popular. Eles foram absolvidos em primeira instância e o processo está parado no Superior Tribunal de Justiça (STJ), devido aos recursos interpelados pela polícia do Rio de Janeiro.

“Qualquer reparação que aconteça é pequena, e não vai trazer de volta a vida do jovem João Pedro. Lá se vão seis anos, ele hoje teria 20”, lembrou Josemar. “Há uma seletividade na escolha de territórios para a realização desse tipo de prática, ainda hoje naturalizado, seguindo uma lógica de violência teatral sobre os corpos de negros e negras da periferia”, continuou o deputado, referindo-se a operações policiais como as de outubro de 2025 nos complexos do Alemão e Penha, que resultou em mais de 130 mortos e impulsionaram a popularidade do então governador Cláudio Castro, que renunciou ao cargo para escapar à cassação e hoje é investigado pela Polícia Federal por diversas irregularidades na administração.

Familiares de João Pedro e de outras vítimas externaram, na reunião, o sofrimento por que passam pela demora na punição dos acusados por esse tipo de violência. “Essa demora nos mata aos poucos, mas nossa esperança é que a Justiça seja feita”, afirmou Neilton Pinho, pai de João Pedro. “Quando mais a Justiça demora mais a gente adoece. Ano passado conseguimos que os policiais fossem a júri popular, mas eles entraram com mais recursos. São seis dias das mães sofrendo com essa ausência sempre presente. Sentimos falta do João Pedro, lembramos da alegria de viver e de seus sonhos, mas o que mais nos marca é saber que não poderemos viver o que gostaríamos de viver com ele”, afirmou a mãe, Rafaela Mattos.

 

Foto/Divulgação: : Erick Quintanilha

Além dos pais de João Pedro, também estiveram presentes à reunião a ex-vereadora Monica Cunha, do Movimento Moleque; Fabiana Silva, ouvidora da Defensoria Pública do estado; Luciano Norberto dos Santos, do Movimento de Mães e Familiares Vítimas de Violência Letal do Estado e Desaparecidos Forçados; Andressa Oliveira, do Movimento Negro Evangélico; Monica Alckmin, vice-presidente do Conselho Estadual da Defesa da Criança e do Adolescente; João Luís Silva, da Comissão de Direitos Humanos da Alerj; Marilene Pereira, Bruna da Silva e Sônia Bonfim, mães que perderam filhos para a violência policial e integrantes da Raave; e Guilherme Pimentel, advogado de direitos humanos e coordenador da Raave.

Memória
João Pedro estava na casa de uma tia, em quarentena com a família, quando o imóvel foi atingido por mais de 70 disparos de fuzil em operação conjunta da Polícia Federal com a Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil, de onde partiu o disparo fatal. O menino foi levado de helicóptero para um hospital pela polícia, mas sua família ficou mais de 17 horas sem ter notícias de seu paradeiro.

O caso gerou forte comoção, nacional e internacional, e impulsionou a aprovação da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, a ‘ADPF das Favelas’, em que o Supremo Tribunal Federal limitou a realização de operações policiais em comunidades durante a pandemia, questionando a poĺitica de segurança do então governador Wilson Witzel. Os três policiais da Core acusados de homicídio qualificado – Mauro José Gonçalves, Maxwell Gomes Pereira e Fernando de Brito Meister – foram absolvidos em primeira instância, mas podem ir a júri popular depois de julgados os recursos que estão no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Fonte: Dani

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *