WhatsApp Image 2026-09-08 at 17.11.35

Foto/divulgação

Há cerca de 3 anos, um grupo de estudantes e entusiastas da educação como prática de liberdade, parafraseando o educador Paulo Freire, a partir das trajetórias de lutas por direitos na periferia de São Gonçalo (RJ), reuniu-se e fundou o Pré Periferia, um projeto de educação aos estudantes mais necessitados, que estavam longe da escola e que viam dificuldades em ingressar em cursos superiores

Com o espírito de levar educação a esse público, o Pré Periferia se tornou um coletivo de preparação de estudantes para novos voos e novos projetos de vida. O projeto se pautou na organização de aulas que pudessem contribuir com vários processos, desde a alfabetização e letramento para jovens e adultos até uma vaga na universidade, passando pela conclusão do ensino fundamental e preparação para o ENEM, ENCEJA e outros.

Atualmente, o projeto está instalado no bairro do Patronato, São Gonçalo (RJ), bem em frente a Faculdade de Formação de Professores (FFP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e tem se dedicado à educação como fonte de conhecimento, libertação, consciência social e autonomia dos estudantes, visando não somente o ingresso em cursos superiores, mas à formação de cidadãos cientes de seus direitos, cidadãos que lutam por uma vida digna e por igualdade, combatendo todas as formas de preconceitos, etarismo, racismo, homofobia, sexismo e outros.

Rayane Leal, aluna do curso de Matemática da FFP, pedagoga social e coordenadora do Pré Periferia, conta que o projeto vai além dos cursos preparatórios, pois abrange Libras, capoeira, reparo e concertos de celulares, bombeiro civil, cuidador de idosos, trancista e outros cursos preparatórios. Ela diz que o projeto “é uma rede de professores e amigos.

Foto/divulgação: Marcos Santana

que sonharam juntos uma utopia de criar uma neverland, uma terra do nunca, onde a gente pudesse vencer juntos na vida e levarmos outras pessoas a vencerem também através da educação, pois a educação liberta, transforma e muda mundos, não só vidas”.

Ele relata que o projeto tem foco em um público específico que são as mulheres e a comunidade LGBTQIAPN+, que formam parcelas da população que são esquecidas e diminuídas. O coletivo esteve em vários espaços por onde também passaram travestis, LGBTS que não tem estruturas familiares. Assim, o projeto teve várias fases, sem estrutura, sem dinheiro. “Começamos nas casas das pessoas, online, na faculdade (FFP), onde às vezes pegávamos as salas que sabíamos que estavam vazias e dávamos aulas mesmo sem permissão. Assim, a gente foi indo”, diz Rayane.

Ela conta que depois foram para outros espaços e acabaram migrando para cima do Bar da Frente e contou com a colaboração do Denilson Marvilla, proprietário do espaço, que prontamente apoiou a iniciativa. Rayane diz que, atualmente, o projeto conta também com apoio do projeto Vem Pra Cota da UERJ e isso leva estrutura para eles, além de professores da universidade (UERJ) que estão inseridos nesse processo, do fórum de Pré-Vestibulares do Estado do Rio de Janeiro e outros.

Foto/divulgação: Marcos Santana

Gustavo Gomes, aluno de História da FFP, professor e coordenador do Pré Periferia, conta que chegou à UERJ e conheceu esse projeto social e a partir daí descobriu as políticas públicas que a universidade oferece aos estudantes. “Quando entrei na UERJ eu senti a necessidade de devolver tudo que me passaram. Hoje eu entendo que fazer o pré-vestibular não é só sobre o amor à educação, mas se faz pela necessidade de devolver à sociedade o que o serviço público entregou a gente”.

Ele destaca que o Pré Periferia abre as portas da universidade para a periferia. “Eu vejo a pedagogia social com um meio de colocar as pessoas em um local que não foi sonhado para elas, mas que elas possam sonhar em estar. Eu fico muito feliz quando vejo uma pessoa na universidade que antes não se enxergava naquele espaço”. Então, o projeto “transforma a gente como a gente transforma o projeto”, pois os estudantes aprendem com os professores e os professores aprendem com os estudantes.

Mileny Gagarin, aluna do Pré Periferia e professora de automaquilagem, que está pleiteando uma vaga no curso de Pedagogia da FFP, destaca que os professores do projeto estimularam sua entrada na faculdade e que foi “através do UERJ Sem Muros que eu conheci a universidade”. Ela acrescenta: “Nosso projeto tem como objetivo nos dar uma luz. Esse projeto nos dá uma perspectiva de vida” e destaca que uma “educação libertadora nos impulsiona para frente. A gente não é só mais um na multidão. A gente se destaca e o meu objetivo é ser educadora social também  dentro do próprio projeto”. Ela finaliza dizendo que esse projeto nos une, nos dá perspectiva e que as pessoas “procurem apoio nesses projetos. Quando tiverem os cursos, se joguem dentro dos cursos mesmo, porque daqui para frente tudo passa, mas os conhecimentos ficam guardados dentro de nós” e se quiserem participar do Pré Periferia “as portas estão abertas”.

Endereço: Rua Francisco Portela, 1343, 2º andar – Patronato, São Gonçalo (RJ), CEP 24.435-001.

Contato: (21) 97873-2998 (Thainá), (21) 98959-9113 (Oladir)

Instagran: @preperiferia

Fonte: Ascom

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *