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Águas do Rio recupera reservatórios e amplia a capacidade de armazenamento na Providência, beneficiando mais de 25 mil pessoas
Falar do Morro da Providência, que fica na região da Gamboa, na Zona Portuária do Rio, é também revisitar importantes capítulos da História do Brasil. Considerada a primeira favela do país, a comunidade surgiu no fim do século XIX, quando soldados que retornaram da Guerra de Canudos passaram a ocupar a área após aguardarem, sem sucesso, moradias prometidas pelo governo. Hoje, o local abriga mais de 25 mil pessoas. Ao longo de décadas, no entanto, a região também ficou marcada por um histórico de abastecimento irregular de água, problema que afetou gerações de moradores. A realidade, porém, começa a mudar. E para muito melhor.

A Águas do Rio, empresa do grupo Aegea, concluiu um amplo projeto de revitalização dos reservatórios da Providência. Das três estruturas existentes na comunidade, apenas duas estavam em funcionamento. A maior delas, com capacidade para armazenar 1,7 milhão de litros, estava desativada havia mais de 30 anos e acumulava toneladas de lixo. Equipes trabalharam em serviços de melhorias em todos os três.

Juraci Vilela, de 70 anos, é uma das milhares de pessoas que conviveram com a precariedade da infraestrutura de saneamento na região. Como tantos brasileiros, foi a busca por melhores oportunidades de vida e trabalho que a levou a deixar a Paraíba em 1968, com malas, sonhos e esperança, rumo à Cidade Maravilhosa. Foi no Morro da Providência que ela recomeçou a vida.

Há anos, ela é conhecida por comandar o tradicional Bar da Dona Jura, que atrai visitantes de diferentes regiões da cidade interessados em provar pratos típicos da culinária brasileira, como dobradinha, feijoada e rabada. O pequeno estabelecimento se tornou ponto de encontro na comunidade e símbolo da resistência de quem construiu sua história ali.
Mais de cinco décadas depois, ela olha para trás e recorda com orgulho a própria trajetória, marcada por muito esforço e perseverança. Ao longo desse tempo, presenciou diversos momentos na comunidade e a constante falta de água.
“Quando eu cheguei ao morro, os moradores já reclamavam da dificuldade para conseguir água. Quem não tinha condição de ter uma caixa d’água era obrigado a descer até o pé da comunidade para buscar e voltar carregando o latão na cabeça até as partes mais altas”, relembra.
Dona Jura conta que, por diversas vezes, chegava cansada do trabalho e dependia da solidariedade de vizinhos que possuíam uma pequena bica para oferecer um pouco de água para tomar banho. Atividades simples do cotidiano, como cozinhar ou lavar roupas, também tornavam-se um enorme desafio.
“Eu me sinto aliviada de saber que o funcionamento do meu estabelecimento não será mais interrompido pela falta de água”, afirma.
Proporcionando uma nova realidade
Para Rodrigo Pereira, gerente de operações da Águas do Rio, recolocar todo aquele sistema da Providência em plena operação foi um desafio tanto técnico quanto simbólico.
“Além de recuperar o reservatório que estava inativo há décadas, nosso trabalho representa o compromisso de levar saneamento para todos os cantos da cidade, inclusive os mais desafiadores. Hoje, os três reservatórios estão ativos, e a comunidade conta com mais de 2 milhões de litros de água armazenada, o que garante estabilidade e tranquilidade para milhares de pessoas.”
Segundo Gisele Dias, presidente da associação de moradores local, a obra era aguardada há muito tempo pela população e marca um novo momento para quem vive na comunidade.
“Sempre sofremos com a falta d’água, principalmente no período do verão. A reforma dos reservatórios é uma vitória e vai trazer uma grande melhoria no abastecimento, acabando com uma preocupação diária dos moradores.”
Investindo em transformação
Desde novembro de 2021, quando assumiu a concessão dos serviços de saneamento em 27 municípios fluminenses, a Águas do Rio já investiu mais de R$ 5,1 bilhões em melhorias no sistema. A transformação vivida na Providência se soma a uma série de intervenções que a concessionária da Aegea vem implementando em outras comunidades cariocas, como a implantação de uma megaestrutura de saneamento no Complexo da Maré.
Desde novembro, equipes atuam naquela região na implantação de redes de esgoto, em um projeto que prevê, até 2027, a instalação de 18 quilômetros de tubulações conectadas a um tronco coletor de 4,6 km de extensão. Com investimento de R$ 120 milhões, a obra também moderniza a rede de água local e, quando concluída, evitará que cerca de 1,3 bilhão de litros de esgoto por mês, o equivalente a 577 piscinas olímpicas, cheguem à Baía de Guanabara.

