87868a09-ae48-402e-9b9d-3d1954341ef8

Foto Divulgação

Documento traz oito pontos essenciais para evitar quando for empreender

Empreender no Brasil é, por definição, um ato de resiliência. Apesar de o país abrigar uma das economias mais dinâmicas do mundo, o cenário de negócios é também um dos mais complexos e voláteis. 

Dados recentes do IBGE e do Sebrae indicam que cerca de 20% das empresas fecham as portas logo no primeiro ano de operação, um número alarmante que ultrapassa os 50% após cinco anos. 

Curiosamente, a “causa mortis” desses negócios raramente é a simples falta de faturamento. Na grande maioria das vezes, o colapso ocorre devido a falhas estruturais profundas na gestão financeira e na ausência de mecanismos lícitos de proteção do patrimônio do fundador.

A análise é da gestora Oryx Capital, empresa especializada em assessoria de investimento. Para ajudar os empresários a navegarem de forma segura nesse labirinto de incertezas, a gestora lançou um guia estratégico profundo que vai além de um simples material educativo. 

O documento funciona como um mapa para identificar e corrigir os chamados “riscos invisíveis”, ou seja, aqueles problemas que não aparecem no demonstrativo de resultados mensal, mas que podem destruir décadas de trabalho em um único evento adverso. 

Segundo a publicação, muitos empreendedores caem no paradoxo do sucesso operacional, acreditando ingenuamente que uma operação lucrativa é sinônimo automático de segurança financeira e patrimonial. Sem uma estratégia de proteção e diversificação bem definida, o empresário acaba se tornando refém de sua própria empresa e das oscilações constantes do mercado brasileiro.

O material destrincha oito armadilhas principais que minam o sucesso a longo prazo. A primeira delas é a “ilusão do caixa”, que ocorre quando há uma perigosa confusão patrimonial entre as contas físicas e jurídicas. 

Pagar despesas pessoais com o caixa da empresa não apenas distorce os indicadores reais de lucro, como também gera graves riscos tributários e abre brechas legais para que dívidas ou processos da empresa alcancem os bens pessoais da família. 

Ligada a isso está a negligência com a necessidade de capital de giro, que pode levar empresas com vendas recordes à insolvência por falta de caixa para bancar os prazos de recebimento. A segunda armadilha é a altíssima concentração de risco.

Guiados pelo mito de que devem reinvestir 100% dos lucros na expansão do próprio negócio, muitos fundadores deixam de construir uma segunda linha de defesa em investimentos externos, atrelando todo o seu futuro a um único CNPJ.

O terceiro erro abordado é o custo silencioso gerado pela total falta de planejamento tributário. A ausência de revisões anuais rigorosas sobre o regime de tributação e falhas técnicas na classificação fiscal de produtos e serviços drenam o caixa de forma contínua, expondo a empresa a autuações e multas que podem chegar a 150% do valor do imposto devido. 

Em seguida, a gestora alerta para a vertigem do crescimento acelerado sem o devido planejamento financeiro. O empresário muitas vezes sofre com o chamado “efeito tesoura”, onde o crescimento das receitas a prazo é engolido pelo crescimento dos custos à vista, asfixiando a operação e forçando a tomada de empréstimos ruins e caros apenas para tapar buracos de curto prazo.

A quinta falha detalhada no documento é a fragilidade do sucesso frente à alta exposição jurídica brasileira. A Oryx Capital destaca a urgência de utilizar instrumentos legais, como a Holding Familiar, para realizar uma blindagem patrimonial lícita, isolando as conquistas pessoais de potenciais processos trabalhistas, fiscais ou societários oriundos da operação comercial. 

No sexto ponto, o guia foca em desconstruir o “mito do gênio” no mundo dos investimentos. Acostumados a tomar grandes riscos nos negócios, os empresários costumam fazer apostas concentradas no mercado financeiro, esquecendo a regra de ouro da diversificação. 

A gestora defende fortemente a necessidade de internacionalizar e dolarizar parte do patrimônio para fugir do “Risco Brasil”, protegendo o capital contra a instabilidade política e a volatilidade cambial.

Colocar o legado em risco é o sétimo grande erro listado. A recusa em planejar a sucessão em vida e implementar regras claras de governança, como um Acordo de Sócios ou a criação de um Conselho Consultivo, costuma paralisar companhias inteiras quando o fundador se ausenta. 

Deixar essa transição para ser resolvida por meio de um inventário judicial não apenas gera custos exorbitantes com impostos e advogados, mas frequentemente destrói o valor da empresa em meio a amargas disputas entre herdeiros. 

Por fim, o guia aborda o pesado preço da solidão na tomada de decisão. Confiar exclusivamente no contador para questões estratégicas de longo prazo ou tentar resolver toda a complexidade contábil e de investimentos sem uma visão integrada acaba gerando soluções ineficientes, que consertam o fluxo de caixa mas criam grandes passivos sucessórios ou fiscais.

e-book reforça a mensagem de que o mero acúmulo de riqueza exige uma gestão de riqueza profissionalizada, para que todo o esforço de uma vida inteira se transforme, de fato, em um legado duradouro e inabalável.

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *