Equipe da Águas do Rio

Equipe da Águas do Rio. Foto Divulgação

No Water Loss, maior congresso mundial de eficiência hídrica, concessionária avalia a adaptação de inovações à complexa realidade fluminense e consolida-se como referência global com resultados apresentados por especialistas estrangeiros 

A segurança hídrica do Rio de Janeiro deu um passo relevante na última semana com a realização do Water Loss 2026. O evento, considerado o principal fórum global dedicado à redução de perdas de água, reúne especialistas de diversos países no Centro de Convenções Windsor Barra. Para a Águas do Rio, concessionária que opera em 27 cidades do estado e 124 bairros da capital fluminense, o encontro funciona como um hub de inteligência para identificar o que há de mais avançado no mundo e avaliar como essas inovações podem ser aplicadas no sistema de abastecimento fluminense.

Equipe da Águas do Rio. Foto Divulgação

A participação da companhia no congresso não se resume a uma presença institucional, mas foca em uma curadoria técnica rigorosa. Na última quinta-feira (30), a Águas do Rio realizou um workshop interno para discutir os principais destaques do Water Loss, a fim de avaliar como o conhecimento adquirido no fórum pode ser aplicado à realidade da área de concessão.

“Não basta importar soluções; o diferencial está em selecionar tecnologias que respeitem as diferentes formas de urbanização do Rio de Janeiro. Nosso objetivo no Water Loss é encontrar ferramentas que ofereçam segurança operacional e eficiência em cenários diversos”, afirma Alizi Costa, Especialista em Projetos da Águas do Rio. 

Equipe da Águas do Rio. Foto Divulgação

Essa movimentação técnica ocorre em um momento de números expressivos para o saneamento no estado. Em pouco mais de quatro anos de atuação, a concessionária evitou que 301 bilhões de litros de água tratada fossem desperdiçados. Para dar dimensão ao dado, esse volume seria capaz de abastecer, sozinho, cidades como Campinas (SP) ou a capital São Luís (MA). É uma recuperação que permite levar o recurso a áreas antes desabastecidas sem retirar uma gota a mais da natureza.

Abertura evento. Águas do Rio. Foto Divulgação

Na prática, a água recuperada pela empresa no Rio de Janeiro poderia atender, individualmente, 99,7% dos municípios brasileiros. Esses indicadores dialogam com o relatório mais recente do Instituto Trata Brasil que aponta que o índice de perdas na capital fluminense caiu para 38,92%. O número representa uma redução de mais de 11 pontos percentuais em apenas um ano, evidenciando que a modernização da rede já produz efeitos diretos na eficiência.

Apresentação de case com Alizi. Foto Divulgação

Inteligência de dados e monitoramento espacial Atualmente, a malha de 17 mil quilômetros operada pela empresa conta com 200 válvulas inteligentes, que regulam a pressão de forma automática e previnem rompimentos. Todo o fluxo é acompanhado em tempo real pelo Centro de Operações Integradas (COI), uma estrutura de monitoramento que funciona 24 horas por dia. 

Além disso, o uso de um satélite espacial tem sido fundamental para localizar vazamentos não visíveis sob o asfalto. Somente em 2025, o equipamento ajudou a reparar 1.161 vazamentos ocultos, salvando 21,8 bilhões de litros de água tratada. 

O uso dessas tecnologias dialoga com uma das discussões centrais do Water Loss 2026: o papel da Inteligência Artificial. Durante o congresso, especialistas destacaram que a IA não deve ser vista como um fim, mas como um meio para atingir objetivos mensuráveis através de modelos preditivos e gestão de dados.

Apresentação Carlos Cesar. Foto Divulgação

Um exemplo prático dessa aplicação foi levado ao evento por Carlos Cesar Oliveira Araujo Filho, especialista da Águas Guariroba, concessionária que também faz parte do grupo Aegea, com atuação em Campo Grande (MS). Ele desenvolveu um modelo de IA que cruza dados de temperatura e períodos de seca para prever a demanda de água do sistema com até 30 dias de antecedência. A ferramenta entrega uma previsibilidade cirúrgica, evitando a produção e o consumo desnecessário de água. A aplicação desse modelo à operação da Águas do Rio está em fase de estudos. 

Rio de Janeiro como referência para especialistas mundiais A escala e a velocidade das transformações no Rio de Janeiro transformaram a concessão em um laboratório para pesquisadores internacionais. No evento, estudiosos externos à companhia utilizaram dados da Águas do Rio para validar teses de inovação. O pesquisador holandês Robbert Lodewijks, por exemplo, apresentou um estudo sobre a integração de IA em estruturas hidráulicas existentes usando a operação fluminense como seu principal estudo de caso.

A participação da própria equipe técnica da Águas do Rio é robusta, com cinco especialistas compartilhando metodologias na grade oficial. Além dos temas de IA e satélites, a equipe levou discussões sobre qualidade metrológica de hidrômetros, com Henrique Almeida Ferreira; sobre criação de indicadores integrados, com Rodolfo Fuchs dos Santos; e estratégias de gerenciamento de pressão na Região Metropolitana, com Jessica Aline Menezes Lima.

O círculo virtuoso e a sustentabilidade do sistema Para Stuart Hamilton, representante do grupo de especialistas da International Water Association (IWA), o combate às perdas de água gera um círculo virtuoso que beneficia toda a sociedade e o meio ambiente. Segundo ele, menos desperdício resulta em um serviço melhor, o que aumenta a adimplência e permite novos investimentos. “Em grande parte dos territórios, não precisamos de mais mananciais. Toda água é água boa, a depender de sua finalidade de uso”, afirmou Hamilton, reforçando que a eficiência e a economia circular são caminhos para não sobrecarregar a natureza.

Ao fim do congresso, a meta é garantir que o conhecimento global se transforme em benefícios reais para a população fluminense. Ao investir em tecnologias que previnem o desperdício, a concessionária diminui a pressão sobre rios e represas e avança na meta de universalização do saneamento. A inovação, neste contexto, prova ser a ferramenta mais eficaz para enfrentar os desafios hídricos e garantir a resiliência do sistema no longo prazo.

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