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Foto/Divulgação

“Rabiscos para o Mar”, álbum de estreia de Ana Flauzina, afirma o samba como matriz estética do trabalho da cantautora, e chega às plataformas digitais no dia 28 de maio

Nesta quinta-feira, dia 28 de maio, chega às plataformas digitais “Rabiscos para o Mar”, estreia fonográfica da compositora e cantora Ana Flauzina (distribuição Tratore).

“Rabiscos para o Mar” reúne 13 composições autorais e nasce de um longo processo criativo da cantautora que, com este projeto, afirma o samba como matriz estética, espiritual e política de seu trabalho.

Com mais de 40 canções escritas, uma delas gravada pelo craque Nelson Rufino (autor de clássicos do repertório de Zeca Pagodinho), desta vez, Ana Flauzina quis dar voz às suas obras. “Acho que a vida é feita de muitos nascimentos e renascimentos, e só agora o canto chegou como uma possibilidade que amadureceu no tempo. Desde que comecei a ter contato mais íntimo com a música, a composição foi casa e abrigo. Cantar é desafio, é exposição, e exigiu de mim um esforço maior. Não só para o aprofundamento da técnica, mas para a coragem de arriscar algo novo a essa altura da minha trajetória”, pontua a cantautora.

Com direção musical da violonista Marília Sodré e do percussionista Tiago Nunes, o álbum dialoga com diferentes sotaques do samba brasileiro, como conta Ana Flauzina: “O álbum carrega muitas referências. A primeira é o samba, repertório dos almoços de domingo, das festas de família. Foi a trilha sonora do primeiro beijo e me deu a minha principal digital artística. Além disso, Salvador e a potência da cultura negra atravessam a obra. Quando dei por mim, estava cantando sobre o cotidiano da cidade, falando de suas ruas, de suas feiras, de seus blocos afros”.

Foto/divulgação: Matheus Leite

As canções reunidas em “Rabiscos para o Mar” também fazem menção ao universo simbólico em torno dos orixás, tendo Yemanjá como grande sentinela. Para Ana Flauzina, só foi possível realizar este álbum graças à força da parceria com os músicos e convidados envolvidos. “É um disco de samba conduzido de forma a honrar a tradição e, ao mesmo tempo, inovar em termos da estética musical. É um álbum que não prioriza os algoritmos e suas exigências mercadológicas, mas que está profundamente comprometido com um fazer artístico genuíno, e isso me deixa muito orgulhosa”.

Mais do que um álbum, “Rabiscos para o Mar” se inscreve em uma tradição de mulheres negras que afirmam sua autoria, suas narrativas e sua presença no campo musical. O projeto de Ana Flauzina é, ao mesmo tempo, estreia e maturidade: “Dar voz às canções, significou, pra mim, dar voz à minha verdade. Apesar dos arranhões naturais em todo processo de aprendizado, saio desta experiência mais fortalecida e mais inteira”, conclui.

Fonte: Andréa Tenório

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