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Foto/divulgação: Instituto C&A

Projeto combina competências socioemocionais, formação técnica e conexão com empregadores para apoiar a transição para o trabalho formal

O mercado da moda demanda profissionais qualificados, mas a dificuldade de acesso à primeira oportunidade ainda impede que muitos talentos ingressem no setor. Dados mais recentes do IBGE, mostram que 18,5% dos brasileiros de 15 a 29 anos, cerca de 8,9 milhões de pessoas, não estavam ocupados nem estudavam ou se qualificavam. Entre os jovens de 18 a 24 anos, essa proporção chegava a 22,4%. É nesse cenário que se insere o novo modelo da Escola de Varejo de Moda, desenvolvido pelo Instituto PROA e pelo Instituto C&A, que acaba de formar mais de 400 jovens da Plataforma PROA – programa gratuito de qualificação profissional presente em 12 estados que combina desenvolvimento técnico e socioemocional para estudantes da rede pública.

A proposta partiu de uma premissa simples: ampliar a empregabilidade exige preparar o jovem para compreender o setor em que pretende atuar e aproximá-lo das competências efetivamente demandadas no cotidiano das empresas. A lógica dialoga com estudos sobre a transição escola-trabalho. A Organização Internacional do Trabalho aponta que uma inserção profissional precária no início da trajetória pode produzir efeitos que acompanham o jovem ao longo da vida laboral. Falta de experiência, mudanças nas competências exigidas pelas empresas e barreiras de escolaridade estão entre os fatores que dificultam essa entrada, sobretudo entre jovens em maior vulnerabilidade socioeconômica.

“As pessoas costumam ouvir o mito de que o jovem de hoje não quer trabalhar, mas, na verdade, o que muitas vezes falta são as ferramentas e os caminhos certos para que ele possa chegar lá. Unir nossa experiência em desenvolvimento comportamental à vivência de mercado do Instituto C&A é o formato ideal para isso. Estamos oferecendo a esses jovens a bagagem que as empresas buscam e contribuindo para acelerar sua entrada no varejo com mais preparo e confiança”, afirma Alini Dal’Magro, presidente e CEO do Instituto PROA.

Formação conectada ao trabalho real

A trilha foi desenhada para atuar em diferentes pontos desse percurso. Antes da especialização técnica, os participantes da Plataforma PROA passaram por uma jornada de 100 horas dedicadas a competências como autoconhecimento, comunicação e raciocínio lógico. Na etapa voltada ao varejo de moda, entraram conteúdos específicos sobre operação de lojas, atendimento, técnicas de vendas, Visual Merchandising, tecidos, tendências e sustentabilidade. A preparação incluiu, ainda, orientações para currículo e portfólio, e encerrou a experiência com encontros presenciais em São Paulo, Rio de Janeiro e Recife.

A ementa expressa uma teoria de impacto baseada na progressão da jornada. O desenvolvimento socioemocional prepara para os códigos e relações do ambiente profissional; a formação técnica reduz a distância entre conhecimentos gerais e as demandas de uma ocupação específica; e o contato com profissionais e práticas do setor amplia repertório sobre possibilidades de carreira. A expectativa é que essa combinação ofereça melhores condições para que os participantes disputem oportunidades formais com maior conhecimento sobre a atividade profissional que irão encontrar.

A escolha do varejo de moda também responde à dimensão econômica do setor. A cadeia têxtil e de confecção brasileira reúne cerca de 1,3 milhão de empregos formais, dos quais aproximadamente 60% são ocupados por mulheres. No varejo, 2025 apresentou sinais de expansão: em levantamento da ABVTEX realizado no início do ano, 92% das empresas participantes relataram crescimento das vendas em lojas físicas em fevereiro na comparação anual.

Para Margarida Curti, gerente executiva do Instituto C&A, essa conexão entre qualificação e mercado está no centro da estratégia de inclusão produtiva da instituição. Segundo a especialista, faz parte da experiência da Escola de Varejo de Moda a formação técnica e comportamental associada à aproximação com situações reais de trabalho, e a nova trilha leva esse conhecimento para a escala da Plataforma PROA, ampliando o número de jovens que podem ter contato com competências específicas do setor.

“O Instituto C&A tem atuado na evolução estruturada de seus projetos, mantendo sua essência e propósito com maior capilaridade, e por isso a parceria com o PROA é tão estratégica. Mais que dobramos, neste ano, a formação de jovens na Escola de Varejo.” pontua.

No último ano, a Plataforma PROA formou 12.219 estudantes e registrou taxa de empregabilidade de 61%, conectando mais de 7.500 jovens a oportunidades de trabalho. A nova formação em varejo de moda integra o conjunto de especializações que ampliam a jornada dos alunos dentro da Plataforma PROA, acrescentando uma especialização setorial a uma metodologia que já combina competências técnicas e socioemocionais.

Sobre o Instituto PROA

Fundado em 2007, o Instituto PROA é uma das principais pontes entre jovens de baixa renda da rede pública e o mercado de trabalho formal no Brasil. Sob a liderança de Alini Dal’Magro, presidente e CEO da organização, o instituto oferece formação gratuita com foco no desenvolvimento técnico e socioemocional, por meio de programas próprios nos formatos on-line e híbrido. Sua principal iniciativa é a Plataforma PROA, que registra uma taxa de empregabilidade de 65% entre os participantes formados. O instituto também mantém o curso ProProfissão, voltado à formação de programadores, com índice de empregabilidade de 80%, além do videocast “Bate-Papo com CEO”, que aproxima os jovens de lideranças empresariais. Atualmente, o PROA está presente em 12 estados brasileiros – São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Goiás, Bahia, Pernambuco e Pará – e já formou mais de 37 mil jovens.

Sobre o Instituto C&A

Há 35 anos, o Instituto C&A promove impacto social no Brasil. A organização atua para ampliar oportunidades de inclusão produtiva no ecossistema da moda no Brasil, em especial para mulheres e juventudes. Sua atuação se concentra em iniciativas de empregabilidade e empreendedorismo, voluntariado e fortalecimento de comunidades, mobilizando conhecimento, parceiros e a experiência da C&A no setor para aproximar pessoas em situação de vulnerabilidade de oportunidades de trabalho e geração de renda.

Fonte: João Manoel

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