Foto Ilustrativa (Reprodução/Freepik)
De acordo com a neuropsicóloga Dra. Leninha Wagner, esse impacto emocional está diretamente ligado à experiência recente vivida durante a pandemia de covid-19.

“O cérebro guarda memórias emocionais intensas associadas a certos acontecimentos. Quando surgem notícias sobre novos vírus, essas lembranças são reativadas automaticamente, desencadeando sintomas de ansiedade, angústia e até depressão”, explica.
Por que notícias sobre vírus geram tanta ansiedade?
Durante a pandemia de covid 19, o cérebro foi exposto por longos períodos a informações associadas a risco, perda e incerteza. Esse contexto deixou marcas emocionais profundas. Ao entrar em contato com termos como surto, quarentena ou vírus emergente, o sistema nervoso reage como se estivesse revivendo aquela ameaça.
“Mesmo quando o risco real é baixo, o cérebro não faz essa distinção de forma imediata. Ele responde ao padrão emocional aprendido anteriormente, e esse jogo tira o racional do cálculo”, destaca a especialista.
Sinais de alerta emocional
Algumas reações podem indicar que a ansiedade está sendo potencializada pelo excesso de informações ou pelo medo antecipatório:
– Dificuldade para dormir após consumir notícias;
– Sensação constante de alerta ou preocupação;
– Irritabilidade e alterações de humor;
– Pensamentos catastróficos sobre o futuro;
– Evitação excessiva de situações sociais ou informativas.
“Reconhecer esses sinais é o primeiro passo para retomar adequadamente o equilíbrio emocional, depois é preciso pensar racionalmente sobre eles e, caso necessário, buscar um suporte profissional”, destaca.
Como proteger a saúde mental em cenários de incerteza
Para a Dra. Leninha Wagner, o cuidado psicológico precisa caminhar junto com a informação responsável.
“Estar informado é importante, mas o excesso de exposição a notícias negativas pode adoecer emocionalmente, o ideal é ter um bom filtro, é fundamental diferenciar a vigilância de pânico. A ansiedade nasce quando tentamos controlar cenários que ainda não existem”, pontua.
Diante da evolução do vírus Nipah, a orientação é manter atenção às informações oficiais, sem antecipar catástrofes. Cuidar da saúde mental, segundo a especialista, é tão importante quanto acompanhar os desdobramentos científicos.
“Em momentos de incerteza, o equilíbrio emocional e pensamento crítico são as maiores formas de proteção”, conclui a Dra. Leninha Wagner.


