Paço Imperial_Foto Pedro Oswaldo Cruz- 2005 - Foto/Divulgação
Como parte da exposição “Constelações – 40anos do Paço Imperial”, será realizada neste sábado, dia 11 de abril, às 15h, a mesa de conversa “O Paço e suas gestões”, com a participação da diretora Claudia Saldanha e dos ex-diretores Lauro Cavalcanti e Paulo Sérgio Duarte, com mediação do historiador da arte e professor da Escola de Belas Artes da UFRJ, Ivair Reinaldim. A conversa, que será realizada na Sala dos Archeiros, será gratuita e aberta ao público.
Com curadoria de Claudia Saldanha e Ivair Reinaldim, em parceria com a equipe da instituição, a mostra “Constelações – 40anos do Paço Imperial” ocupa 12 salões e os dois pátios internos com cerca de160 obras de 130 artistas, de diferentes gerações, que fazem parte da históriado centro cultural, como Adriana Varejão, Amilcar de Castro, Anna Bella Geiger, Anna Maria Maiolino, Antonio Dias, Antonio Manuel, Arthur Bispo do Rosário, Beatriz Milhazes, Cildo Meireles, Denilson Baniwa, Hélio Oiticica, Iole de Freitas, Ivens Machado, Luiz Aquila, Luiz Zerbini, Lygia Clark, Lygia Pape, Marcela Cantuária, Maxwell Alexandre, Roberto Burle Marx, Tunga, entre muitos outros. Completam a mostra uma série de vídeos feitos pela Rio Arte com alguns artistas nas décadas de 1980 e 1990.
“Passados quarenta anos, o Centro Cultural do Patrimônio Paço Imperial – primeiro equipamento inaugurado no entorno da Praça XV, no centro histórico do Rio de Janeiro – teve seu caráter de monumento reiterado, mas também tornou-se ponto de encontro e referência para o circuito das artes visuais da cidade. Ao longo do tempo, abrigou grande número de mostras individuais e coletivas, nacionais e internacionais, entre outros eventos; e se no passado foi o cenário de importantes acontecimentos históricos do país, diversas outras memórias foram acrescidas à edificação nas últimas décadas. Celebrar essa história, composta por múltiplas temporalidades, é reconhecer local e nacionalmente a importância do Paço Imperial na promoção das artes e da cultura brasileira”, afirmam os curadores Claudia Saldanha e Ivair Reinaldim.

Ao longo de sua história, o Paço Imperial realizou exposições com diversas vertentes, que vão desde arte contemporânea até arte popular, passando por arquitetura, design, paisagismo, história e patrimônio. Desta forma, a exposição “Constelações– 40 anos do Paço Imperial” abrange esse conceito e traz a ideia de reunião, sem hierarquia, juntando os artistas contemporâneos aos artistas populares, unindo diferentes gerações, técnicas e suportes em uma única mostra, dividida por núcleos temáticos. “Se a palavra constelação define um agrupamento de estrelas, cosmologicamente distantes umas das outras, mas conectadas pela imaginação humana, constituindo uma forma reconhecível com finalidades diversas, aqui reunidas, as obras produzidas por diferentes gerações de artistas procuram reforçar sua singularidade, assim como sua interação por proximidade”, afirmam os curadores, que ressaltam também a importância da constelação institucional, com obras emprestadas por diversos parceiros, como Instituto Moreira Salles, Museu Bispo do Rosário, Museu de Imagens do Inconsciente, Museu de Arte do Rio, Museus Castro Maya, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Museu do Folclore e Sítio Roberto Burle Marx.
Para a mostra, foi realizada uma extensa pesquisa, que demorou cerca de um ano, na qual foram levantadas todas as exposições realizadas no espaço e os artistas que dela participaram. “Não partimos de obras que necessariamente foram expostas no Paço e sim de artistas que já expuseram e foram importantes nessa história”, conta Ivair Reinaldim. Desta forma, na mostra haverá obras icônicas, mas também trabalhos inéditos, além de outros que não necessariamente foram apresentados no espaço ,mas pertencem a artistas que ajudaram a escrever a história do lugar. Entre as obras apresentadas estará um jardim em homenagem a Roberto Burle Marx(1909-1994), cujo centenário de nascimento ganhou uma grande mostra no Paço Imperial em 2008, com curadoria de Lauro Cavalcanti, diretor da instituição na época. O jardim será montado pelo Sitio Burle Marx, em parceria com o Paço Imperial, no pátio principal. A exposição também terá obras inéditas, criadas especialmente para esta mostra, como a instalação “Agrupamento”, de José Damasceno, feita com materiais garimpados na feira da Praça XV, em frente ao Paço Imperial, e os trabalhos de Marcelo Monteiro e Regina de Paula.
A exposição é complementada por 15 vídeos da série sobre arte contemporânea produzida pela Rio Arte, com artistas como Amilcar de Castro (filmado no Paço Imperial durante sua exposição em 1989), Anna Maria Maiolino, Antonio Manuel, Lygia Clark, LygiaPape, Tunga, entre outros. “São vídeos bem importantes, feitos a quatro mãos pelos artistas e diretores. Não são um mero registro em vídeo, mas sim obras d e arte, concebidos como peças artísticas”, conta Claudia Saldanha. Dada a importância, uma das salas da mostra será inteiramente dedicada a estes filmes.
O Centro Cultural do Patrimônio Paço Imperial foi fundado em 6 de março de 1985, tendo completado os 40 anos no ano passado. “Consideramos que até março de 2026,quando iremos inaugurar a exposição, estamos celebrando este momento de aniversário”, afirma Claudia Saldanha. A exposição é realizada também por meio da Emenda Parlamentar n° 44830003,instrumento n° 977375, do Ministério da Cultura, projeto “Paço Imperial 40 anos”, proponente Associação de Amigos do Paço Imperial (CNPJ 40.300.154/0001-13).
SOBRE O PAÇO IMPERIAL
Construído em 1733 e inaugurado em 1743, o Paço Imperial foi usado primeiramente como Casa dos Vice-Reis do Brasil. Com a chegada da Corte de D. João VI ao Rio de Janeiro, em 1808, tornou-se Paço Real e sede dos governos do Reinado e do Império. Após a Proclamação da República, em 1889, abrigou a Agência Central dos Correios e Telégrafos. A primeira planta em escala da cidade, feita em1713, e os vestígios arqueológicos revelam que, no Paço Imperial, também funcionaram a Casa da Moeda e o Armazém del Rei. O casarão foi tombado pelo Iphan em 1938. Desde sua restauração em 1983, conduzida pelo arquiteto Glauco Campello, o Paço Imperial resgatou sua essência histórica e se tornou referência na arte contemporânea. Em 1985, depois de restaurado, tornou-se um centro cultural vinculado ao Iphan.
Serviço: Mesa de conversa “O Paço e suas gestões”
Dia 11 de abril de 2026, às 15h
Centro Cultural do Patrimônio Paço Imperial [Sala dos Archeiros]
Capacidade: 80 lugares
Entrada gratuita
Praça XV de Novembro, 48 – Centro– Rio de Janeiro – RJ
Terça a domingo e feriados, das12h às 18h.
Produção: AREA27
Fonte: Beatriz Caillaux

