Juliana Galbetti_Foto/divulgação: Gui Gomes
Obra “Era do Ruído” integra a mostra dos finalistas do Arte Laguna Prize que reunirá artistas de 50 países de 6 a 29 de novembro no Arsenale Nord
Finalista da 21ª edição do Arte Laguna Prize, referência na promoção e difusão de artistas emergentes de todo o mundo, Juliana Galbetti apresentará a instalação “Era do Ruído” (Age of Noise) na exposição que reunirá os 240 finalistas das duas últimas edições do prêmio, de 6 a 29 de novembro de 2026, no Arsenale Nord, em Veneza, na Itália, com curadoria de Xiaoyu Weng e Jemima Kulumba. Com 16 m², a instalação será composta por munições deflagradas, cápsulas e projéteis deformados e outros resíduos recolhidos em locais de prática de tiro, apresentados em vitrines horizontais, com estruturas metálicas e tampos de vidro temperado, sobre os quais o público poderá caminhar, como se percorresse um sítio arqueológico.
“A apresentação em vitrines de chão caminháveis aproxima os fragmentos dos modos de exposição da arqueologia, mas aquilo que está sob nossos pés não pertence a uma civilização desaparecida. São vestígios de uma prática ainda em operação. Tratamos o nosso presente como se ele já pudesse ser encontrado em uma escavação futura”, diz a artista.
A coleta, a organização como acervo e a experiência de caminhar sobre as vitrines oferecem um percurso que permite interrogar uma prática e sua permanência no presente. Fruto de uma pesquisa iniciada há cinco anos, “Era do Ruído” é uma instalação site-responsive (que dialoga com as características do espaço onde é apresentada), concebida para a 7ª Bienal do Sertão, em Diamantina, Minas Gerais, em 2025. Para a exposição em Veneza, a instalação será ampliada. “Há algo que convida à aproximação: o brilho dos materiais, a organização minuciosa e uma forma de apresentação que parece familiar. Mas, ao se deter ali, o olhar pode encontrar relações que não se acomodam tão facilmente nessa primeira impressão. Interessa-me quando aquilo que nos atrai também nos faz interrogar o que estamos vendo – e os critérios com que estamos olhando”, afirma a artista.

Selecionada entre mais de três mil inscritos de todo o mundo, Juliana Galbetti está entre os 120 finalistas da 21ª edição do prêmio, escolhidos por um júri internacional criterioso, que inclui o curador brasileiro Hélio Menezes, cocurador da 35ª Bienal de São Paulo, “Coreografias do impossível”. Também integraram o júri Sarah Crowe, Yuko Hasegawa, Wang Chunchen, Gianluigi Ricuperati, Linzi Stauvers e Jemima Kulumba.
ARQUEOLOGIA DO FUTURO
Os materiais podem dizer algo sobre a sociedade que os produz. Desta forma, em “Era do Ruído”, os resíduos podem ser examinados para além de suas formas e deformações. “O que sua existência, sua quantidade e sua repetição permitem perguntar sobre nós?”, questiona a artista.
Na instalação, os resíduos estão organizados segundo lógicas classificatórias de acervos museológicos. Eles são coletados, limpos, classificados e agrupados para comparação, tornando visíveis suas semelhanças, diferenças e marcas de impacto. Os artefatos que compõem a obra são feitos de diferentes metais, como chumbo, cobre, bronze, latão além de plástico, presente em componentes de munições, e cerâmica, proveniente de pratos usados como alvos em práticas de tiro. “Não procuro reconstituir uma cena. Trabalho com os resíduos de uma prática: estojos deflagrados, projéteis deformados e fragmentos recolhidos em locais de tiro. Limpar, classificar e organizar esses materiais não apaga as marcas do disparo que carregam. Ao contrário, a ordem torna essas marcas do impacto mais perceptíveis”, afirma Juliana Galbetti, que reuniu no ateliê mais de 300kg de resíduos coletados. Em diálogo com o arqueólogo Danilo Ribeiro Zardo, investigou quais perguntas e procedimentos orientariam a análise desses materiais caso fossem encontrados em uma escavação.
“Imagino uma escavação do futuro na qual vestígios do presente seriam examinados como indícios de uma prática atual já transformada. A instalação cria essa distância temporal, mas a desfaz quando reconhecemos o que está sob nossos pés: vestígios de uma prática que continuamos a repetir. Estamos diante de um passado que ainda estamos produzindo”, afirma Juliana Galbetti. “A paz aparece como uma possibilidade a ser imaginada e construída, enquanto o futuro interroga o presente: o que precisaria mudar para que esses vestígios pertencessem a uma prática efetivamente encerrada?”, reflete a artista.
Criado pela Associação MoCA, o Arte Laguna Prize completa 20 anos em 2026. A inauguração da exposição dos finalistas das 20ª e 21ª edições do prêmio coincidirá com as últimas semanas da Bienal de Veneza, uma das mais importantes bienais de arte do mundo.
Serviço: Juliana Galbetti na exposição de finalistas do Arte Laguna Prize 20ª e 21ª edições
De 6 a 29 de novembro de 2026
Arsenale Nord – Sestiere Castello, 6611, Veneza, Itália
Diariamente, das 10h às18h
Organização da mostra: MoCA APS —Modern and Contemporary Art
Informações e reservas: https://artelagunaprize.com/exhibition-2026/
Entrada gratuita
Fonte: Beatriz Caillaux

