Renata Luiza confere adereço confeccionado por aluna da ONG. Crédito: Divulgação / Favela Mundo
No Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, histórias de liderança feminina que conectam criatividade, gestão e transformação social ganham ainda mais relevância. A trajetória de Renata Luiza Lopes de Oliveira, conhecida como Renata Luiza Reluz, é um exemplo inspirador de como arte, cultura e educação podem caminhar juntas para promover autonomia, geração de renda e novas oportunidades para outras mulheres.

Integrante da equipe da ONG Favela Mundo desde 2019, Renata iniciou sua atuação como instrutora de artesanato. Atualmente, é coordenadora pedagógica e professora nas áreas de fantasias, adereços e customização de abadás, com foco na qualificação profissional para a indústria criativa, especialmente o carnaval carioca. Seu trabalho une formação técnica, acompanhamento pedagógico e articulação com o mercado, ampliando as possibilidades de inserção produtiva das alunas.
Aos 44 anos, Renata construiu uma carreira sólida que conecta dois universos estratégicos: o terceiro setor e a indústria do carnaval. Formada em Pedagogia e pós-graduanda em História da Arte, é também técnica em laminação e especialista em cenografia, fantasias e adereços. Há 19 anos atua em projetos sociais e, há 17, integra a cadeia produtiva do carnaval, consolidando-se como profissional multifacetada: carnavalesca, enredista, construtora de fantasias e integrante de equipes de direção e gestão.
Ao longo da carreira, trabalhou em escolas do Grupo Especial do Rio de Janeiro, como a Unidos do Viradouro, atual campeã do carnaval carioca; a Mocidade Independente de Padre Miguel e a Estação Primeira de Mangueira, além de prestar serviços para outras agremiações no Rio de Janeiro, em São Paulo e no exterior. Sua atuação vai além da criação artística: envolve gestão de equipes, formação técnica e desenvolvimento de projetos, reforçando o papel do carnaval como potência econômica e cultural.
Seu diferencial está no compromisso com a empregabilidade. Para Renata, capacitar é apenas o primeiro passo, é necessário construir pontes reais com o mercado de trabalho. Sua atuação é voltada à inserção produtiva, à geração de renda e à autonomia, especialmente para mulheres em situação de vulnerabilidade. Ao fortalecer a cadeia produtiva do carnaval, ela contribui para a valorização da cultura como motor de desenvolvimento social e econômico.
Mãe de três filhos, de 25, 22 e 5 anos, Renata também simboliza o equilíbrio entre maternidade e liderança profissional em um setor historicamente desafiador para mulheres. Sua trajetória reforça que investir em qualificação, arte e cultura é investir em identidade, dignidade e futuro.
“A cultura é um dos pilares do desenvolvimento social e pessoal. Investir na qualificação e na valorização da arte é investir no futuro e na dignidade das pessoas”, destaca Renata.
