491781

Foto/divulgação

Às vésperas do Dia dos Pais, três gerações de uma mesma família mostram como o samba se tornou um legado de afeto, respeito e tradição dentro e fora da avenida
Aos 72 anos, Mestre Folia, um dos nomes conhecidos da bateria no carnaval carioca, viu a própria história ganhar um novo capítulo. Depois de dedicar décadas às escolas de samba e inspirar o filho, Mestre Marfim, a seguir seus passos, hoje divide a avenida também com o neto, Bernardo, de 14 anos. Juntos, avô, pai e filho transformam a bateria em um elo que atravessa gerações e faz do samba muito mais do que uma manifestação cultural, uma herança de família.
A história começou ainda no Morro Santa Marta. O pai de Mestre Folia era Mestre de Folia de Reis e foi a partir dessa tradição que nasceu a ligação da família com a cultura popular. Mais tarde, Mestre Folia e a esposa passaram a integrar o Bloco Império de Botafogo, ele como ritmista e, posteriormente, diretor de bateria; ela como passista. O carnaval deixou de ser apenas uma festa para se tornar parte da identidade da família.
Foi nesse ambiente que cresceu Mestre Marfim. Ainda bebê, era levado pelos pais aos ensaios e desfiles. Cresceu ouvindo sambas-enredo, observando os movimentos da bateria e descobrindo, quase naturalmente, que aquele também seria o seu caminho. Ao longo dos anos, construiu uma trajetória em importantes escolas de samba do Rio de Janeiro até se tornar mestre de bateria. Atualmente, está à frente da Ritmo Alvinegro, do Botafogo Samba Clube.
Foto/divulgação
A terceira geração dessa história começou a ser escrita com Bernardo, de 14 anos. Sem qualquer imposição da família, mas cercado desde pequeno pelo universo do samba, o adolescente passou a tocar ao lado do pai e do avô. Neste ano, os três realizaram um sonho: desfilar juntos na avenida, representando três gerações da mesma família unidas pelo mesmo ritmo.
“Meu pai me vê hoje como o mestre de bateria que ele também já foi um dia; meu filho me vê ali liderando; e eu olho para os dois e sinto uma alegria enorme de tê-los comigo. Ver o meu filho no repique, passando pelas mesmas etapas pelas quais eu já passei… é extremamente emocionante”, conta Mestre Marfim.
Mais do que ensinar a tocar um instrumento, Mestre Folia fez questão de transmitir valores que permanecem vivos na família. Humildade, respeito aos mais velhos e compromisso com o coletivo são ensinamentos que passaram para Mestre Marfim e que agora também chegam a Bernardo.
Para Mestre Marfim, o maior legado não está apenas nas décadas dedicadas ao carnaval, mas na continuidade dessa história. “É maravilhoso chegar à Beija-Flor e ouvir histórias sobre o meu pai, ou ver o meu filho chegar ao Salgueiro e saber que o pai dele deixou um legado ali. Isso é impagável.”
Às vésperas do Dia dos Pais, a história de Mestre Folia, Mestre Marfim e Bernardo mostra que o samba também é uma forma de transmitir afeto. Em uma cidade onde o carnaval faz parte da identidade cultural, as três gerações revelam que algumas heranças não são deixadas apenas em fotografias ou objetos de família, mas no compasso da bateria, no som do repique e na emoção de dividir a avenida juntos.
Fonte: Luana Viard

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *