Foto/divulgação: Arquivo Agência Brasil
Profissional do Departamento Médico da Alerj, Natália Crespo explica sintomas, formas de tratamento e a importância do diagnóstico precoce; pessoa com diabetes relata como descobriu a doença aos 12 anos
Sede excessiva, emagrecimento sem causa aparente e o surgimento frequente de furúnculos podem ser sinais de alerta para o diabetes, uma doença crônica que afeta milhões de brasileiros e que, muitas vezes, pode se desenvolver de forma silenciosa. O portal da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aborda os principais sintomas da doença, a importância do diagnóstico precoce e os cuidados necessários para garantir qualidade de vida aos pacientes.
Para esclarecer as principais dúvidas sobre a doença, a nutricionista do Departamento Médico da Casa, Natália Crespo, explica os sintomas, as formas de tratamento e a importância do diagnóstico precoce. A reportagem também traz o relato da professora Theresa Carvalho, que convive com diabetes tipo 1 desde os 12 anos e compartilha os desafios enfrentados desde o diagnóstico até a adaptação ao tratamento.
Desafio na adolescência
Theresa Carvalho tinha apenas 12 anos quando percebeu que algo não estava bem. Os primeiros sinais, no entanto, não foram imediatamente associados ao diabetes. “Muita sede, surgimento de furúnculo e emagrecimento. Fui tratar e não resolvia, até que passei mal e fiquei no hospital. Lá, fiquei desacordada, eles tentaram medir minha glicose, quando conseguiram estava em mais de 500. Não conseguiram medir antes porque estava muito alta”, relatou.
Receber o diagnóstico ainda na adolescência trouxe inseguranças e receios. “Fiquei muito insegura, eu tinha 12 anos, estava entrando na adolescência. O medo de ter que me privar de muitas coisas me assustava. Eu raramente contava para alguém que eu tinha diabetes tipo 1. Tinha medo do julgamento, de acharem que foi devido ao alto consumo de açúcar, o que não foi”, afirmou.
A adaptação ao tratamento também foi um desafio para Theresa. “No início, quando descobri, contava com a ajuda dos meus familiares para a aplicação da insulina. A própria aplicação era desconfortável. A seringa, fornecida pelo SUS, inicialmente era grande. Pelo menos duas vezes ao dia eu tinha que aplicar e, no início, a glicose estava descontrolada, então eu tinha que aplicar mais vezes ao dia. A alimentação era muito controlada e, em 2014, não tínhamos muitos produtos ‘zero açúcar’ e ‘diet’. Foi bem desafiador”, lembrou.
Após alguns anos, Theresa deixou de seguir parte dos cuidados necessários, situação que resultou em uma nova internação em 2023. Em setembro de 2023, ela foi para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) com pneumonia que, somada ao diabetes, gerou complicações.
Ela ainda conta que, desde então, passou a lidar de forma mais saudável com a doença. “Juntamente com minha psicóloga, comecei a lidar melhor com o diabetes, a entender que não era culpa minha. Hoje em dia, eu consigo falar sem culpa e partilho até mesmo para que as pessoas possam me ajudar quando estou com hipoglicemia e hiperglicemia. Também fizemos alterações, melhorando a marca e a qualidade da insulina, passei a usar a canetinha, monitorar a glicemia sempre, além da prática de atividade física e de uma alimentação mais equilibrada”, completou.
Afinal, o que é diabetes?
Natália Crespo, explica que o diabetes é uma doença crônica causada pelo aumento dos níveis de glicose no sangue.
“Esse aumento acontece porque o organismo não produz insulina suficiente ou não consegue utilizar a insulina de forma eficiente. A insulina é um hormônio responsável por permitir que a glicose entre nas células para ser usada como fonte de energia. Quando esse processo não acontece adequadamente, a glicose se acumula na corrente sanguínea”, explicou.
Segundo a especialista, os sintomas podem surgir gradualmente e, muitas vezes, passar despercebidos. “Os sinais mais comuns são aumento da sede, vontade frequente de urinar, aumento da fome, cansaço excessivo, perda de peso sem explicação aparente, visão embaçada, principalmente ao acordar, e dificuldade de cicatrização de feridas”, afirmou.
Ela ressalta que, em muitos casos, especialmente no diabetes tipo 2, a doença pode permanecer sem sintomas por anos, por isso, a realização de exames periódicos é fundamental.
Tratamento e qualidade de vida
De acordo com a nutricionista, embora o tratamento varie conforme o tipo de diabetes e as características individuais de cada paciente, a mudança no estilo de vida é importante.
“Uma alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, controle de peso, sono adequado e manejo do estresse são fundamentais. Em muitos casos, também é necessário o uso de medicamentos e, algumas vezes, insulina. O mais importante é entender que a diabetes pode ser controlada e que, com acompanhamento adequado, a pessoa pode ter qualidade de vida”, explicou.
A especialista também reforça que a doença não está relacionada exclusivamente ao consumo de açúcar. “O diabetes não está relacionado apenas com o consumo de açúcar. Ele é uma condição multifatorial que envolve genética, hábitos de vida e fatores metabólicos. Quanto mais cedo o diagnóstico e o tratamento, melhores são os resultados para a saúde e qualidade de vida do paciente”, concluiu.
Diabetes na legislação
Além do trabalho de orientação realizado pelo Departamento Médico, a Alerj aprovou leis voltadas à prevenção e ao tratamento do diabetes.
A Lei nº 3.885/2002 definiu diretrizes para uma política de prevenção e atenção integral à saúde da pessoa com diabetes no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Já a Lei nº 4.119/2003 dispõe sobre a distribuição gratuita de medicamentos e materiais necessários para aplicação de insulina e monitoramento da glicemia. A Lei nº 4.614/2005, por sua vez, instituiu o Programa de Prevenção e Controle do Diabetes nas escolas das redes pública e privada de ensino do Estado do Rio de Janeiro
Fonte: Alerj

