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_Encontro das Nacoes._Foto/divulgação: Carlos Junior

O Museu da República, no Rio de Janeiro, foi palco de uma grande celebração da diversidade cultural durante o 3º Encontro das Nações, neste fim de semana. Ao longo da programação, os organizadores estimam que cerca de 10 mil pessoas circularam diariamente pelo espaço, consolidando o evento como uma das principais iniciativas de valorização dos povos e comunidades tradicionais do estado do Rio de Janeiro.

Espalhados pelos jardins e áreas internas do museu, cerca de 90 expositores apresentaram ao público a riqueza dos saberes ancestrais por meio da gastronomia, artesanato, literatura, moda, música e manifestações culturais de diferentes povos e comunidades tradicionais.

 

O encontro reuniu representantes de povos indígenas, povos de terreiro, cultura cigana e diversos grupos tradicionais, promovendo trocas de experiências, fortalecimento de identidades e valorização do patrimônio cultural brasileiro.

_Encontro das Nacoes._Foto/divulgação: Carlos Junior

Um dos grandes destaques desta edição foi a gastronomia ancestral. Pela primeira vez, o evento contou com a participação de representantes de países africanos como República do Congo, Angola e Nigéria, que apresentaram ao público sabores, tradições e saberes culinários de seus territórios. Chefs internacionais compartilharam receitas, histórias e experiências, proporcionando uma verdadeira imersão na cultura africana por meio da gastronomia. Durante a abertura, o idealizador do evento, Marcelo Fritz, destacou a importância do Encontro das Nações como espaço de união e compartilhamento de conhecimentos.

_Econtrodas Nacoes_Foto/divulgação: CarlosJunior

“O Encontro das Nações é um evento que é uma criança e, graças a Deus, a gente chega num momento de ápice. Vai ter muita troca, vai ter muita coisa boa que vai unir, que vai trazer diálogo, que vai trazer troca de cultura, de informação e, certamente, essa nossa união vai nos levar a lugares muito maiores”, afirmou.

 

Marcelo também agradeceu aos expositores e parceiros envolvidos na realização do encontro. “Através de cada elo que representa vocês, a gente fez uma corrente muito grande. Hoje estamos no limite máximo de expositores em um espaço nobre, que é o Museu da República”, ressaltou.

 

Ao longo da programação, o público participou de cortejos multiculturais, rodas de conversa, apresentações artísticas, oficinas e homenagens. O Fórum Inter-religioso foi um dos destaques do encontro, reunindo lideranças religiosas, pesquisadores e representantes da sociedade civil para debater temas centrais da democracia brasileira. As mesas abordaram o papel das religiões de matrizes africanas na luta por cidadania e a importância da culturae da espiritualidade na promoção da liberdade religiosa e no combate à intolerância.

_Encontro das Nacoes._Foto/divulgação: Carlos Junior

Com mediação de Tauan Sayro e Júlia Madeira, o fórum contou com a participação do Babalorixá Márcio de Jagun, Mãe Marilene Mattos Andrade, Caio Bayma, Doné Conceição d’Lissá, Leide Calazancioe do Babalawô Ivanir dos Santos. Os debates reforçaram a necessidade do diálogo inter-religioso, do respeito à diversidade de crenças e da construção de uma sociedade mais justa e inclusiva.

 

As oficinas de atabaque, os cantos de louvação, as apresentações da cultura cigana e as diversas manifestações artísticas emocionaram os visitantes. Um dos momentos mais marcantes foi o Xirê dos Orixás, que encantou o público com sua beleza, espiritualidade e celebração da ancestralidade afro-brasileira. A programação também contou com muita música e dança, reafirmando o papel da arte como instrumento de preservação cultural, resistência e fortalecimento das identidades tradicionais.

 

Outro momento de grande impacto foi a apresentação do grupo teatral Lumiar Iaxé da Mulher, que emocionou o público com uma encenação sobre o feminicídio. Por meio da arte, o espetáculo promoveu reflexões sobre a violência contra a mulher e a necessidade do enfrentamento desse grave problema social.

 

Para os organizadores, o sucesso de público demonstra o crescente interesse da sociedade pelo fortalecimento das tradições, pelo diálogo intercultural e pelo reconhecimento dos povos e comunidades que mantêm vivas as raízes da cultura brasileira. Mais do que uma feira multicultural, o 3º Encontro das Nações consolidou-se como um espaço de encontro entre diferentes saberes, territórios e tradições, reafirmando a importância da diversidade cultural, da ancestralidade e da liberdade religiosa na construção de uma sociedade mais democrática, plural e inclusiva.

Fonte: Rozangela Silva

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