*Roubos de veículos disparam em São Gonçalo no primeiro mês da Operação Barricada Zero*
Fracasso num dos principais indicadores de violência coloca em xeque a estratégia do governo estadual e enterra a principal bandeira eleitoral do prefeito Capitão Nelson
A Operação Barricada Zero completou seu primeiro mês em São Gonçalo ofuscada pela disparada no roubo de veículos na cidade. Enquanto viaturas e tropas especiais ocupavam pontos estratégicos para retirar os obstáculos colocados por facções criminosas e mostrar a força do poder público, os criminosos agiam de forma diversificada e audaciosa.
No período de 1º a 28 de dezembro de 2025, sob a vigência plena da Barricada Zero, que começou no dia 24 de novembro, a cidade registrou 518 roubos de carros e motos. O número, obtido junto às delegacias do município, é catastrófico quando comparado ao mesmo período do ano anterior: em dezembro de 2024, foram 195 registros. Trata-se de um aumento de 165%, saltando de cerca de 7 casos por dia para mais de 18,5.

Foto Divulgação
O fiasco coloca na berlinda dois chefes do poder executivo: o governador Cláudio Castro, idealizador e gestor máximo da operação estadual, e o prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson, que chegou à prefeitura com a segurança pública como carro-chefe de sua campanha.
A operação, de grande visibilidade midiática, não atacou as causas e não desarticulou as organizações. Enquanto isso, nos grupos de WhatsApp de bairro e nas filas das delegacias, a sensação é de abandono e medo. As DPs da cidade estão sobrecarregadas e a explosão de roubos de veículos pode ter impacto, em 2026, no preço dos seguros.
O primeiro mês da Barricada Zero em São Gonçalo concentrou o maior volume de remoção de obstáculos no estado, com destaque para o Jardim Catarina, de onde foram retiradas mais de 2 mil toneladas de barreiras que impediam a livre circulação dos moradores.
Pela quantidade anunciada e a suposta presença do estado nas comunidades, era de se esperar que o roubo de veículos diminuísse. Mas a explosão de roubos de veículos mostra que os criminosos continuam com sinal verde diante de uma política de segurança pública mal concebida. A população, mais uma vez, paga a conta.
