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Foto/Divulgação: CPAH

Publicado na “Open Minds International Journal” (v.6, n.1, 2025), o artigo propõe uma nova compreensão sobre os transtornos mentais em indivíduos com altas habilidades cognitivas, impulsionado pelo maior grupo de superdotados do mundo: o Gifted Debate, vinculado ao CPAH.

Um estudo recente liderado pelo neurocientista Dr. Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues, pós-doutorado em Neurociências e especialista em Genômica, trouxe uma faceta inédita sobre a prevalência do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) entre adultos superdotados. O artigo, publicado pela Open Minds International Journal (DOI: https://doi.org/10.47180/omij.v6i1.365 ) representa mais uma das contribuições científicas de Abreu, cuja trajetória inovadora o levou a ser indicada à prestigiada sociedade científica Sigma Xi — composta por mais de 200 laureados com o Prêmio Nobel.

   

Intitulado “Transtorno Obsessivo-Compulsivo em Adultos Superdotados” , o estudo foi realizado em parceria com os coautores Dr. Flávio Henrique dos Santos Nascimento (psiquiatra), Júlia Lima do Espírito Santo e Luciana Schermann Azambuja (psicólogas), e Adriel Pereira da Silva (físico e mestre em psicologia), todos membros do Gifted Debate e de sociedades de alto QI como Mensa, Intertel, Triple Nine Society, ISI, ISPE e IIS. 

O diferencial deste trabalho reside no aporte do projeto Gifted Debate , núcleo de estudos do CPAH (Centro de Pesquisa e Análises Heráclito), que conta com mais de 500 participantes superdotados em sua base. Essa amostra, inédita em número e profundidade de perfis, permitiu a observação de padrões psicológicos e neurobiológicos específicos em pessoas com quociente intelectual muito acima da média. 

Superdotação e neuropsiquiatria: um novo paradigma

Segundo uma pesquisa, o alto QI não protege o indivíduo de certas vulnerabilidades psíquicas. Ao contrário, parece haver uma demonstração positiva entre superdotação e o desenvolvimento de comportamentos obsessivo-compulsivos. Essa constatação desafia o paradigma clínico convencional, que historicamente subestima a complexidade emocional e comportamental dos indivíduos cognitivamente mais dotados.

A análise empírica foi baseada em estudos de caso, entrevistas clínicas e instrumentos validados internacionalmente. A equipe tem uma frequência acima da média de sintomas obsessivo-compulsivos, especialmente do tipo “verificador” e “perfeccionista”, em adultos superdotados. Tais comportamentos estariam relacionados à hiperatividade do eixo cortico-estriatal-tálamo-cortical, frequentemente descritos na literatura sobre TOC, e potencializados por características associadas à alta inteligência, como hiperfoco, necessidade de controle e hiperestímulo cognitivo.

Um modelo neurocientífico e genético integrativo

O estudo também incorpora o modelo DWRI (Desenvolvimento de Amplas Regiões de Interferência Intelectual), desenvolvido pelo próprio Dr. Fabiano de Abreu, que propõe uma amplificação das conexões entre áreas específicas como o córtex pré-frontal dorsolateral, o cíngulo anterior e a descoberta temporoparietal, sendo este último responsável por habilidades de mentalização e teoria da mente. Em superdotados com TOC, essas áreas apresentam hiperativação, estabelecendo um funcionamento cerebral distinto que exige reinterpretação em manuais de diagnósticos tradicionais.

Implicações clínicas e sociais

Para Abreu, o estudo é apenas o início de uma reconfiguração necessária na psicopatologia da alta inteligência. Ele afirma que “transtornos em superdotados devem ser compreendidos a partir de um modelo que integra neurogenética, neurodesenvolvimento e variáveis ​​sociais. Tratar o QI elevado como fator de proteção psicológica é uma simplificação equivocada que envolve diagnósticos precoces e instruções adequadas”.

Reconhecimento internacional

O rigor metodológico e a originalidade teórica do artigo foram determinantes para sua aprovação na  Open Minds International Journal , periódico de revisão por pares em duplo cego, reconhecido por seu foco em avanços disruptivos nas ciências humanas em curto período. A participação do Gifted Debate, considerado o maior grupo de pesquisadores superdotados do mundo, reforça a solidez empírica do estudo e posicionamento do Brasil na vanguarda da neurociência aplicada à superdotação.

Este novo estudo do Dr. Fabiano de Abreu Agrela reafirma seu papel como protagonista de uma neurociência humanizada, integrativa e inovadora. Ao evidenciar a complexidade psíquica dos superdotados, rompe com o reducionismo tradicional e propõe novos caminhos para a compreensão da mente extraordinária.

Fonte: Imprensa Global do FMI

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