Foto/Divulgação: Bruno Eduardo Alves
Há mais de duas décadas transformando o Carnaval de Niterói em um espaço de conscientização sobre o cuidado em liberdade, o Bloco Loucos pela Vida desfilou pelas ruas da cidade na tarde desta terça-feira (10) com versos que deixaram bem claro: “CAPS não é meme” em uma alusão ao importante trabalho realizado pelos Centros de Atenção Psicossocial.
“O Loucos pela Vida é uma excelente oportunidade para combater rótulos e preconceitos que as pessoas em sofrimento psíquico muitas vezes passam e também reforçar a importância dos nossos Centros de Atenção Psicossocial, isso tudo com muita alegria e descontração que um bloco de carnaval proporciona.”, afirma a secretária municipal de Saúde Ilza Fellows.
Maria Célia Vasconcellos, diretora da FeSaúde, que coordena a rede do RAPS, comemorou a existência do bloco: “Esse grupo da Saúde Mental tem uma visão ampla. O Bloco Loucos Pela Vida é uma demonstração clara disso. Esse tá cada vez maior e melhor – e a cada ano vai ficar maior e melhor. Isso é dignidade!”
Além delas, um público estimado de 300 pessoas, entre usuários dos serviços da rede de saúde mental, familiares, profissionais e moradores do município, o bloco saiu da Praça Arariboia rumo à Praça da Cantareira com seus foliões mostrando bastante alegria e entusiasmo.
Para o psicólogo Vinícius Ramos, que atua no CAPS III, falou da importância do evento: “é um dia diferente, é um dia em que vamos às ruas, dando às caras para cidade uma nova faceta do que é ser usuário de saúde mental”, indo além dos dos estigmas, como figuras perigosas ou indesejadas. “Dá um sentido de que são pessoas como a gente, que querem se divertir, querem ser felizes e aproveitar a cidade”, explicou. “É um jeito de estar fora dos serviços de saúde, em um jeito mais descontraído e aos pouquinhos de construir um outro lugar para esses indivíduos dentro da cidade”.
Com direito a rainha da bateria, o bloco neste ano tinha como “realeza” a Ana Paula Ramos. Ela mesmo internada no Hospital Psiquiátrico de Jurujuba era levada para o os ensaios por conta da sua habilidade enquanto passista. Quando entrou no Centro de Cultura e Convivência foi convidada para o bloco. “Todo mundo torcia para eu me candidatar a ser a realeza e aí eu ganhei esse ano e estou muito feliz”, comemorou ela .

Em homenagem ao recentemente falecido Francisco Protasio, um militante atuante do movimento antimanicomial, estandartes com seu nome eram exibidos. Sua viúva, a psicóloga Juliana Cecchetti, comentou: “Ele estava na Saúde Mental há muitos anos – e isso faz com que ele tenha uma direção muito clara de cuidado para além da ideia da pessoa só frequentar os serviços de saúde”. Trabalhando no Centro de Cultura e Convivência, ele buscava o cuidado como os territórios, em que as pessoas pudessem estar em seus locais de vivência fazendo suas próprias redes, para além do serviço nas unidades de saúde. “Ele traz isso no trabalho dele, no percurso dele, na vida dele e chega para a família e para amigos.” O Loucos Pela Vida sem ele perde muita coisa. “Ele também brincava muito no Carnaval”, concluiu Juliana
Criado a partir das práticas da rede municipal de saúde mental, o Loucos pela Vida hoje funciona como um coletivo cultural autônomo, com apoio da Secretaria Municipal de Saúde e da Fundação Estatal de Saúde de Niterói (FeSaúde). O bloco também conta com a parceria do GRESS Magnólia Brasil e da Secretaria Municipal das Culturas. A iniciativa integra arte, cuidado e cidadania, ampliando o olhar sobre saúde e promovendo inclusão por meio da cultura popular.

O Bloco Loucos Pela Vida é uma iniciativa da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) que atua para além do carnaval. As atividades acontecem no Centro de Convivência e Cultura Dona Ivone Lara, dispositivo da RAPS responsável por desenvolver oficinas, ensaios e apresentações que estimulam a expressão artística e fortalecem o cuidado em saúde mental, com foco na inclusão, no acolhimento e na convivência comunitária.
Fonte: Prefeitura de Niterói

