JULIA DEBASSE_Silêncio para o Anhangá_2026

JULIA DEBASSE_Silêncio para o Anhangá_2026 - Foto/divulgação

Pinacoteca Solar reúne cinco artistas em uma coletiva de pinturas com curadoria de Adriana Nakamuta.

Mostra abre em 29 de outubro e tem entrada gratuita.

A arte contemporânea convida o espectador a participar da obra, provocando questionamentos e despertando o pensamento crítico. No entanto, nem todos têm as mesmas oportunidades de acesso a esse universo, especialmente nas periferias. E se, em vez de o público ir às galerias, elas fossem até ele?

É a partir dessa ideia que a Galeria de Arte Solar apresenta a Pinacoteca Solar, exposição coletiva que reúne pinturas de Dani Lacerda, Julia Debasse, Lucas Ururahy, Renata Leoa e Taty Arruda em torno do conceito de paisagem. A mostra abre em 29 de outubro e fica em cartaz até 11 de dezembro, com entrada gratuita, na Galeria de Arte Solar, localizada no Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, comunidade na Zona Sul do Rio de Janeiro.

Proposta é aproximar comunidade da experiência da arte contemporânea

Criada pelo Solar Meninos de Luz — complexo educacional sem fins lucrativos que atende a 411 crianças e adolescentes, do berçário ao Ensino Médio —, a galeria tem entre seus desafios aproximar estudantes e moradores da experiência da arte contemporânea. “Nessa exposição, a ideia de paisagem deixa de ser apenas uma representação geográfica para se constituir como espaço de afeto, de vozes e de lutas. Dani Lacerda, Julia Debasse, Lucas Ururahy, Renata Leoa e Taty Arruda apresentam pesquisas sobre a paisagem em diferentes linguagens e suportes pictóricos, mostrando o ambiente não apenas como meio, mas como território vivo de aprendizado e pertencimento”, destaca Adriana Nakamuta.

JULIA DEBASSE_A Conferência dos Pássaros II_2024 – Foto/divulgação

A mostra Pinacoteca Solar reúne cerca de 20 obras que investigam paisagens naturais e culturais, reais ou simbólicas. Em suportes e poéticas diversas, Dani Lacerda evoca o Rio sobre plástico-bolha; Julia Debasse transforma figuras animais em uma galáxia pictórica; Lucas Ururahy conecta memória familiar e ecologia territorial; Renata Leoa dá visibilidade à Zona Oeste, historicamente sub-representada na pintura fluminense; e Taty Arruda expõe composições da série Natureza Morta, que denunciam a degradação ambiental provocada pelo descarte humano.

Nova curadoria fortalece atuação da galeria

Essa é a terceira exposição realizada em 12 meses sob a nova curadoria de Adriana Nakamuta, ex-integrante da comissão curatorial do Parque Lage. À frente da programação, Adriana já realizou exposições individuais de Marcos Cardoso, Heberth Sobral, Sabrina Corrêa e Fernanda Botelho, do Estúdio Safe Art, e Brenda Guimarães. Ao longo de seus 19 anos, a Galeria de Arte Solar também recebeu artistas como Anna Bella Geiger, Antônio Bokel, Barrão, Lia do Rio, Toz, entre outros. “Todo artista que expõe na galeria é convidado a realizar uma oficina com os alunos. Além de estimular o pensamento crítico, a arte é uma poderosa ferramenta de inclusão e transformação social”, explica Isabela Maltarolli, diretora pedagógica do Solar Meninos de Luz.

A exposição também dialoga com o programa Do Morro ao Mar: Justiça Ambiental em Ação, projeto pedagógico e ambiental que rendeu ao Solar Meninos de Luz o selo Escola Azul e orientará as ações educativas e ambientais da instituição nos próximos dois anos. Sem fins lucrativos, a Galeria de Arte Solar é a única no Rio de Janeiro com programação curatorial contínua instalada dentro de uma comunidade. O espaço conta com patrocínio do Belmond Copacabana Palace, do Instituto Yduqs e da Lorinvest, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura (ISS-RJ).

DANI LACERDA_Elementos_2026: Foto/divulgação

ARTISTAS

Dani Lacerda(Ituiutaba, MG, 1994)
Vive e trabalha no Rio de Janeiro. Sua pesquisa artística se desenvolve na relação entre corpo, espaço, matéria e forma, transitando por diferentes materiais e processos de reutilização e ressignificação. Oriunda do mundo da moda, sua produção de arte visual teve início com a criação de roupas de plástico-bolha, expandindo-se depois para outros formatos. Suas paisagens surgem em forma de mosaico, num processo minucioso no qual cada bolha é pintada manualmente, como uma pequena unidade de cor, forma, luz e sombra, criando composições a partir da repetição, do ritmo e do gesto. Em seu trabalho, a “bolha” surge também como território de investigação sobre arte, moda, arquitetura, política e estruturas sociais.  

Julia Debasse (Rio de Janeiro, RJ, 1985)
Na pintura de Julia Debasse, referências da alta cultura e da erudição são confrontadas com o popular e o inculto. Indicada ao Prêmio PIPA 2022, a artista parte de referências da biologia, anatomia, história e literatura para criar ficções que conjugam elementos conhecidos da natureza de forma absurda e perturbadora. A convergência de mundos tão diversos gera um universo estético de representações singulares, pessoais, imediatamente reconhecíveis. Em meio a essa cacofonia, se ergue uma voz sincera, mesmo que muitas vezes debochada, e uma pintura decidida que não tem medo de ser bela sem se deixar aprisionar pelas belezas fáceis.

Lucas Ururahy (Sepetiba, Rio de Janeiro, 1988)
Nascido e criado na Zona Oeste do Rio de Janeiro, filho de uma professora e de um mergulhador naval e neto de um mestre carpinteiro naval, o artista parte da memória costeira, das ecologias periféricas e da ancestralidade afro-brasileira e indígena para investigar tensões territoriais contemporâneas. A sua produção transita livremente entre escultura, pintura, instalação sonora, arte tecnológica, vídeo e performance, frequentemente incorporando matérias orgânicas e resíduos urbanos e marítimos. Tem obras nos acervos da Fundação Getulio Vargas (FGV Arte), Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM RJ), Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC Niterói), Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea etc.

Renata Leoa (Rio de Janeiro, 1997)
A pesquisa de Renata Leoa começa numa lacuna: a história da pintura carioca quase sempre priorizou imagens do Centro e da Zona Sul, deixando a Zona Oeste de fora do quadro. Diante da escassez de referências, ela cria as próprias e fotografa o Rio, desconstruindo a imagem na tela e garimpando livros de história local para pintar o que nunca foi para as telas. O resultado é também autobiográfico: suas pinturas trazem recordações de infância, imagens do cotidiano, das ruas, do trânsito, da vida em Bangu ou Madureira. Suas paisagens surgem não só como temáticas de identificação e memória, mas também como exaltação de cenários relegados da cidade.

Taty Arruda (Rio de Janeiro, 1979)
Mestre em Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (FBAUP), vive e trabalha no Rio de Janeiro. Sua prática artística investiga as relações entre água, corpo e território como campos de memória, violência e transformação. A materialidade de sua produção se constrói por meio da pintura a óleo, tecido, plástico, porcelana e objetos triviais. Mais do que suportes, esses materiais estruturam sua pesquisa, condensando memórias culturais, sociais e ambientais. Em suas obras, a matéria atua como agente narrativo, articulando ecologia, memória e política. A pintura torna-se um espaço de escuta e imaginação para investigar como as transformações dos rios e dos ecossistemas reverberam nos corpos e reconfiguram as relações entre seres humanos e natureza.

GALERIA DE ARTE SOLAR  

Integrada ao Solar Meninos de Luz, a Galeria de Arte Solar é a primeira e única galeria estruturada com curadoria e calendário anual de exposições, situada em uma comunidade no Rio de Janeiro. É uma instituição sem fins lucrativos, com patrocínio do Belmond Copacabana Palace, Instituto Yduqs e Lorinvest, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura (ISS-RJ). Todo artista que expõe no espaço é convidado a ministrar uma oficina aos alunos do Solar Meninos de Luz, que atende a 411 crianças e adolescentes em tempo integral, do berçário ao Ensino Médio. Além do ensino formal, a escola oferece alimentação, atividades culturais e esportivas, e acompanhamento psicossocial. O Solar Meninos de Luz foi duplamente contemplado no Prêmio Melhores ONGs do Brasil 2026, promovido pela Certificadora Social e Ambev VOA. Além de integrar pelo sexto ano a lista das 100 Melhores ONGs, a instituição foi eleita a Melhor ONG do Rio de Janeiro, em reconhecimento à excelência em gestão, governança, transparência e impacto social. Uma das formas de ajudar a instituição é por meio do apadrinhamento individual, em que o doador contribui de forma recorrente com uma quantia que será destinada ao suporte educacional. Mais informações, no site: solarmeninosdeluz.org.br 

SERVIÇO

Exposição coletiva de arte contemporânea
Título: Pinacoteca Solar
Artistas: Dani Lacerda, Julia Debasse, Lucas Ururahy, Renata Leoa e Taty Arruda
Curadora: Adriana Nakamuta
Abertura: 29 de outubro, quinta-feira, às 15h
Encerramento: 11 de dezembro de 2026
Visitação: Segundas, terças e quintas-feiras, das 9h às 18h; quartas e sextas, das 14h às 18h
Local: Galeria de Arte Solar
Endereço: Rua Saint Roman, 149 – Pavão-Pavãozinho – Copacabana – Rio de Janeiro
Entrada franca
www.solarmeninosdeluz.org.br 

Fonte:  Júnia Azevedo

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