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Nova edição do projeto “Pescando Tradições”, do Instituto Burburinho Cultural promove formações gratuitas e ações de valorização dos saberes da pesca artesanal em municípios do entorno da Lagoa de Araruama. Lançamento conta com evento nos dias 16 e 17 de outubro
Outubro, Rio de Janeiro, 2026 – A pesca artesanal atravessa gerações, territórios e modos de vida na Região dos Lagos. Mais do que uma atividade econômica, ela reúne conhecimentos transmitidos entre famílias, técnicas próprias de cada comunidade e uma relação de dependência e cuidado com os ecossistemas.
É a partir dessa compreensão que o Instituto Burburinho Cultural realiza a nova edição do projeto Pescando Tradições, iniciativa voltada à valorização dos saberes tradicionais da pesca artesanal, ao fortalecimento das comunidades pesqueiras e à criação de novas oportunidades de trabalho e renda.
Realizado em parceria com associações de pescadores, o projeto leva formações gratuitas para comunidades pesqueiras do entorno da Lagoa de Araruama, envolvendo municípios como São Pedro da Aldeia, Cabo Frio, Araruama, Arraial do Cabo, Iguaba Grande e Saquarema, além de promover intercâmbios com outras comunidades, como em Belmonte, na Bahia. A iniciativa atua diretamente junto às organizações locais, fortalecendo vínculos entre pescadores e estimulando a articulação em torno de temas como sustentabilidade, profissionalização, cultura e desenvolvimento territorial.
Formações gratuitas
Entre as formações oferecidas estão o curso de biojoias, que utiliza materiais como escamas para a criação de peças artesanais; a capacitação de pescadores para o exercício e atividades voltadas ao reconhecimento da pesca como tradição cultural dos territórios. O projeto também promove intercâmbios de cinco dias entre comunidades pesqueiras de diferentes territórios, criando espaços para a troca de conhecimentos e experiências.
A formação profissional é apenas uma das dimensões do Pescando Tradições. O projeto parte da compreensão de que a pesca artesanal é também uma expressão cultural, formada por saberes orais e familiares que atravessam gerações. Cada comunidade desenvolve técnicas, modos de fazer e conhecimentos próprios, construídos a partir da relação cotidiana com o território.
“Quando falamos de pesca artesanal, estamos falando de cultura, de memória e de conhecimentos que foram construídos e transmitidos por gerações. São saberes que muitas vezes não estão registrados em livros, mas estão presentes nas famílias, nas técnicas, nas formas de trabalhar e na relação que essas comunidades estabelecem com a lagoa. Fortalecer esses territórios é também reconhecer a cultura que existe neles e criar condições para que ela continue viva”, afirma Priscila Seixas, fundadora e presidente do Instituto Burburinho Cultural.
200 toneladas de pescados
Na edição anterior do Pescando Tradições, realizada pelo Instituto Burburinho Cultural em 2025, as formações beneficiaram 85 pescadores e pescadoras, com mais de 150 horas de formação e um intercâmbio de 10 dias entre territórios.
No período da iniciativa, a produção pesqueira ultrapassou 200 toneladas, incluindo cerca de 115 mil quilos de camarão pescados. Os números ajudam a dimensionar a relevância econômica da atividade para os territórios envolvidos.
Nova edição: Três dias para celebrar a pesca como cultura
A nova edição será oficialmente apresentada durante o Pescando Tradições: 3º Encontro de Pescadores Regional da Laguna de Araruama, realizado nos dias 16 e 17 de outubro, na Associação das Organizações da Pesca Artesanal da Laguna de Araruama. A programação foi construída a partir de três eixos: “A Pesca é Cultura”, “Conhecimento, Sustentabilidade e Futuro” e “Organização e Fortalecimento da Pesca Artesanal”.
Ao longo dos dois dias, o encontro terá rodas de conversa, painéis, feira gastronômica, apresentações culturais, encontros entre organizações da pesca artesanal e debates sobre políticas públicas, sustentabilidade, turismo de base comunitária e novas oportunidades para os territórios pesqueiros.
Entre os destaques está o painel sobre novas oportunidades para os territórios pesqueiros e Turismo de Base Comunitária, com participação do Sebrae; e o desfile de biojoias produzidas a partir de escamas, fibras e outros elementos ligados à pesca artesanal.
A abertura oficial terá participação de representantes do Instituto Burburinho Cultural, Instituto Aegea, Prolagos, Consórcio Ambiental Lagos São João, Sebrae, organizações da pesca artesanal da Laguna de Araruama e Comitê de Bacias, além de representantes das Secretarias Municipais de Cultura dos municípios do entorno da lagoa.
No domingo, 17 de outubro, em Arraial do Cabo, acontece a apresentação do Pescando Tradições II, com o lançamento oficial do novo ciclo do projeto e apresentação das ações previstas, incluindo formação, Turismo de Base Comunitária, fortalecimento das organizações, novos cursos e novas oportunidades.
O Pescando Tradições é viabilizado por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. A iniciativa conta com o patrocinio da Prolagos e Instituto Aegea e é realizada pelo Instituto Burburinho Cultural, pela Associação de Pescadores Artesanais e Sentinelas da Laguna de Araruama (APASLA) e pelo Ministério da Cultura. O projeto conta com parceria da Associação dos Pescadores de Pesca Artesanal de Ganchos de Peixe da Laguna de Araruama (APAGPLA); Associação dos Pescadores Artesanais da Praia da Baleia (ASPAPRAB); Colônia de Pescadores Z5, de Arraial do Cabo; Associação de Pescadores Artesanais de Monte Alto (APAMA); Associação dos Pescadores Artesanais no Parque das Garças Integrada (APESRSCARPEGIN); Associação dos Pescadores Artesanais de Barragem da Laguna de Araruama (APABLA); Colônia de Pescadores de Iguaba Grande e a Associação das Marisqueiras e Pescadoras de Belmonte (AMPB); Além disso, conta com o apoio do Comitê de Bacia Lagos São João; Consórcio Intermunicipal Lagos São João; Sebrae; Secretaria Municipal de Cultural de São Pedro da Aldeia, Governo Municipal de São Pedro da Aldeia; Escola da Cultura RJ (SECEC – RJ) e Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro.
Fonte: Ascom Beatriz

