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O livro de poemas e prosas curtas reúne o texto original da obra, com poemas inéditos e um conjunto de prosas escrito em paralelo a O Mar do Meu Velho. Ao refazer os caminhos, os ensinamentos e o trajeto comum com seu pai, o autor faz uma homenagem à sua presença. “Para além de ser meu trabalho individual mais conhecido, o que escrevo é um tributo ao brilhante trabalho de inspiração e liberdade orientada que um pescador analfabeto e embrutecido pelas suas experiências me proporcionou. É um ato de amor”, pondera o autor.

Jordão de Pão (1941-2013) nasceu em Portugal, mas escolheu se tornar brasileiro. Com sua atividade profissional, criou cinco filhos e teve um casamento de 51 anos com Izabel de Pão. “Ser o caçula é apenas um dos fatores comuns entre eu e meu pai”, diz Jordão Pablo. Ensinava as pessoas a amarem o mar, e encontrarem nele mais do que a delicadeza da boa pesca, mas o ofício árduo de preparar a pesca, a paciência de vigiar as linhas e as atribuladas condições de repartição do pescado. As tensões existenciais e sociais ficam, entre versos e linhas corridas, mais evidentes e sentimentalmente expostas.
“O Mar do Meu Velho” trabalha, ainda, os estudos e as memórias narradas por outros pares do autor para, com delicadeza e domínio de técnicas de escrita literária, criar novas mitologias originárias, retomar narrativas do imaginário ocidental e recriar com enfoques afetivos as vivências de pescadores. De Yemanjá a Netuno, são revisitados ícones de nossa história artística, cultural e ampliam os seus repertórios. Privilegia-se a fluidez do sentimento e os versos livres, a entoar imagens e personagens comuns aos territórios beira-mar. Neste sentido, o leitor terá a oportunidade de dialogar com a construção do próprio imaginário brasileiro.

Estabelecido o mar como espaço de convivência pacífica e de desafios de existir, o pescador passa a guiar a obra, unindo a infância de sujeito poético e protagonista, redimensionando as formas literárias: nesta publicação majoritariamente de poemas há um protagonista. Pescador que ergue tributo à sua amada, que prepara os insumos para a pesca, que vive diante dos olhos de quem lê: nascimento, constituição familiar e morte são temas que perpassam o trabalho. Este curso de mar, literariamente possível, deságua na saudade de filho pelo pai, após o registro do período de luto.

Celebrando a vida de um profissional autônomo desconhecido pela história geral, o mestre em História também aponta a vitória dos casos pontuais como vestígios de percursos que foram silenciados ou apagados. “A literatura sempre constituiu uma via de registro de nomes e de personagens que não seriam lembrados pelos atos oficiais. Celebraremos nessa noite os trabalhadores do mar, bem como todos os que construíram nossos territórios e existem apenas nas memórias de seus pares”, afirma Jordão Pablo de Pão. O evento é gratuito, para todas as idades. O livro pode ser comprado antes, com o autor, ou na hora do lançamento, com a equipe da livraria Blooks.
JORDÃO PABLO DE PÃO
O escritor, historiador e gestor cultural Jordão Pablo de Pão tem trajetória reconhecida no cenário cultural niteroiense como autor de livros que trabalham a memória e pesquisador da história da literatura fluminense. Cidadão niteroiense, é detentor de medalhas e títulos atribuídos pela Câmara Municipal e por entidades afins. Membro efetivo da Academia Fluminense de Letras e da Academia Gonçalense de Cordel. Já tem publicados “Cáustico”, “Café Quente”, “Antes do Café Paris” e “Afinal, para que Academias de Letras?”, além de mais de três dezenas de outras publicações literárias, entre fanzines, códices e plaquetes. Servidor público, participou da gestão de diversos equipamentos municipais, participou da curadoria das duas mais recentes edições da Festa Literária Internacional de Niterói e atualmente está diretor da Niterói Livros.
SERVIÇO
