Buchecha - foto/ divulgação
No Rio de Janeiro, o funk ganhou uma data oficial para celebrar uma história que há décadas ultrapassa os limites das comunidades onde nasceu. Comemorado no segundo domingo de setembro, este ano, no dia 13 — o Dia do Funk é também uma oportunidade para olhar para o gênero para além dos estigmas e reconhecer sua força como manifestação cultural, artística e social.
Instituída pela Lei Ordinária 7.489/2016, a data nasceu justamente em um contexto de valorização do movimento e de enfrentamento ao preconceito que historicamente acompanha o funk. Mas, para quem ajudou a construir essa trajetória, o reconhecimento precisair além do calendário.
“Considero importante ter um dia comemorativo ao gênero na agenda, mas mais do que isso eu espero que o funk tenha ainda mais reconhecimento e ativos favoráveis ao segmento para os artistas e para todos os funkeiros que vivenciam de fato a música, a dança, o ritmo e os bailes”, afirma Buchecha, um dos grandes nomes da história do gênero. A fala do artista traduz um movimento que deixou de ser restrito a um território. O funk nasceu nas periferias, mas, ao longo das décadas, ganhou o país e passou a dialogar com diferentes públicos, gerações e classes sociais.
“O funk nasceu de fato nas periferias, mas hoje é do povo, sem fronteiras, sem discriminação, sem segregação racial ou social. É de fato um segmento onde todos se divertem à vontade. Esse é o legado mais importante: o funk continua sendo uma potência inesgotável, atravessando de geração para geração.”
Ter um dia oficial no calendário é uma conquista para MC Koringa “Significa o reconhecimento a um movimento periférico que conquistou não só um país inteiro, mas também vários países pelo mundo. É importante que a nossa própria terra reconheça isso e celebrejunto conosco. E sua influência vai muito além da música. Está na dança, na moda, na linguagem e na maneira como diferentes gerações se expressam. Para Buchecha, enquanto tendências passam, o funk permanece justamente por manter uma conexão profunda com suasraízes e com seu público.
“O funk representa a liberdade do indivíduo, independentemente de classe social e de quaisquer outros muros. A moda tem por natureza passar e depois ser esquecida e trocada por outra, mas o funk permanece firme e forte com suas raízes e com seus adeptos apaixonados.”
Para MC Koringa – “Fica a lição de luta e perseverança por quem plantou, acreditou e lutou por um ritmo que surgiu sendo discriminado e que hoje é aclamado. Um ritmo que acolheu e que foi acolhido. Um ritmo que salvou vidas, revelou talentos e continua inspirandoas próximas gerações. Todo esse exemplo deve ser preservado, assim como sua memória que já mostrou ser atemporal.

Essa força também explica por que o baile continua sendo um espaço tão particular de celebração. É onde a música deixa de ser apenas ouvida para ser vivida no corpo, na dança, na memória e no encontro entre diferentes gerações.
- É nesse espírito que Buchecha e MC Koringa se encontram no dia 31 de outubro, no Qualistage, na Barra, para a estreia de “O Baile é Nosso”, projeto que reúne grandes nomes do funk e convidados especiais em uma noite dedicada ao gênero.
Segundo Buchecha, a proposta ganha ainda mais relevância justamente porque ainda são poucos os grandes eventos dedicados exclusivamente ao funk. “Como todo estilo musical e movimento cultural, o funk também tem seus porta-vozes. Considero eu e Koringa e tantos outros artistas representantes deste segmento. Para além da nossa música, existe o legado que estamos deixando para as gerações futuras. Representa a liberdade do indivíduo, independentemente de classe social e de quaisquer outros muros. A moda tem por natureza passar e depois ser esquecida e trocada por outra, mas o funk permanece firme e forte com suas raízes e com seus adeptos apaixonados.”
A ideia é fazer do encontro mais do que uma noite de sucessos. É reunir diferentes gerações em torno de uma história que continua sendo escrita. “Ainda é bem raro ter eventos renomados, gigantes, que tocam só funk. Por isso, o nosso evento se torna ainda mais importante. Estamos reunindo todo mundo para curtir, ser feliz de fato e sonhar com a gente.”
“Mais do que nunca, o Funk representa a diversidade em todos esses quesitos contidos na pergunta. Se tratando do fato de estarmos em plano 2026, ao contrário de como era antes, quando tendencias tomavam conta de uma cidade inteira, algumas em comum, em cadaesquina podemos notar essa mistura. O funk vem unindo diversas tendencias em um mesmo espaço. Isso mostra o quanto tem o poder de unir povos, culturas de diversas camadas em geral. Se tratando de Rio de Janeiro, o berço do funk, hoje o nosso RJ retrata bem isso. O batidão típico do nosso Funk com toda certeza marcou e continua marcando momentos da vida das pessoas de gerações variadas. Sabendo disso, queremos reunir a todos para curtir conosco essa experiência de O Baile é Nosso”, define MC Koringa.
E é justamente aí que “O Baile é Nosso” encontra o espírito do Dia do Funk: celebrar um gênero que enfrentou preconceitos, conquistou novos territórios e continua encontrando maneiras de se reinventar sem perder suas raízes. Um movimento que, como define Buchecha, permanece como uma potência capaz de atravessar gerações. E, para quem cresceu nos bailes, há uma promessa que resume esse espírito: o baile pode até acabar, mas o encontro continua.
O Baile é Nosso com Buchecha, MC Koringa e convidados
Dia 31 de outubro no Qualistage
https://qualistage.com.br/o-baile-e-nosso
Fonte: Rozangela Silva

