Museu histórico folclórico Gwangju_imprensa

Museu histórico folclórico Gwangju_imprensa - Foto/divulgação

Com curadoria de Aldones Nino e Bruna Levi, será apresentada a mostra inédita “Devorações do Amanhã – Brasil em rebento”, com obras de 35 artistas brasileiros

Considerada uma das mais importantes do mundo, a Bienal de Gwangju, na Coréia do Sul, ganhará, pela primeira vez, um pavilhão brasileiro em sua 16ª edição, que acontecerá de 5 de setembro a 15 de novembro de 2026. Localizado no Gwangju History & Folk Museum, o pavilhão terá curadoria de Aldones Nino e Bruna Levi e apresentará a exposição inédita “Devorações do Amanhã – Brasil em rebento”, com a participação de 35 artistas brasileiros, de diferentes gerações e oriundos de diversas regiões do Brasil. São eles: Adriana Varejão, Alex Červený, Ayla Tavares, Cinthia Marcelle, Estevan Davi, Herbert De Paz, Heloisa Hariadne, Isabella Ogêda, Ivens Machado, Jonas Arrabal, Josi, Laís Amaral, Lais Myrrha, Lucas Lugarinho, Luiza Crosman, Manauara Clandestina, Marcela Cantuária, Marcos Chaves, Maria Lira Marques, Mariana Rocha, Márcia Falcão, Maruan Sipert, Nathan Braga, Panmela Castro, Patrícia Abbott, Rayana Rayo, Sara Ramo, Ventura Profana, Vicente de Mello, Vinicius Gerheim, Vivian Caccuri, Shinji Nagabe, Walla Capelobo, Xadalu Tupã Jekupé e Yhuri Cruz.

“’Devorações do Amanhã’ propõe a criação do primeiro Pavilhão Brasileiro na Bienal de Gwangju. Ancorado no pensamento antropofágico brasileiro, o projeto atualiza a noção de devoração como uma operação crítica voltada ao presente: um gesto de metabolização das crises contemporâneas”, afirmam os curadores Aldones Nino e Bruna Levi, que ressaltam que a proposta estabelece um diálogo direto com a 16ª edição da Bienal de Gwangju, intitulada “You Must Change Your Life” (Você precisa mudar a sua vida), sob direção artística de Ho Tzu Nyen, que parte da ideia de transformação como imperativo ético e sensível diante das urgências do nosso tempo.

Ao explorarem tecnologias ancestrais e emergentes, o colapso do meio ambiente e dilemas historiográficos, os artistas brasileiros propõem reflexões que permeiam a fabulação de amanhãs possíveis e a imaginação política. Serão apresentadas obras em diferentes suportes, como pintura, escultura, vídeo, fotografia, instalação e performance, sendo muitas inéditas, como os trabalhos de Marcela Cantuária, Sara Ramo, Laís Amaral, Shinji Nagabe, Rayana Rayo, Márcia Falcão, Estevan Davi, Panmela Castro e Mariana Rocha. Haverá, ainda, obras produzidas na própria Coréia do Sul pelos artistas.

Ayla Tavares_Another Star the Size of Your Hand – Foto/divulgação

Heloisa Hariadne, Isabella Ogêda, Lucas Lugarinho, Manauara Clandestina, Marcos Chaves, Maruan Sipert, Patrícia Abbott e Vinícius Gerheim, que participarão de uma residência artística, de 3 a 21 de agosto, na Embaixada do Brasil em Seul, com direção de Vicente de Mello.

A mostra destaca a diversidade tecnológica e material da arte brasileira atual, apresentando desde criações fundamentadas na matéria bruta até explorações que envolvem inteligência artificial, ferramentas digitais e novas formas de visualidade.  Nesse contexto, Maria Lira Marques utiliza pigmentos extraídos da própria terra sobre rochas para resgatar saberes ancestrais do Vale do Jequitinhonha. Ao mesmo tempo, Walla Capelobo emprega o barro na elaboração de futurismos afro-diaspóricos, desenvolvidos durante sua residência de pesquisa na Akademie der Künste, em Berlim. Já Lucas Lugarinho investiga linguagens técnicas e digitais, trajetória que o levou a ser premiado com o Digital Art Commissions pelo Pérez Art Museum Miami e Panmela Castro apresenta a série Relembrança, na qual explora a intersecção entre afeto e tecnologia ao converter os sonhos de seu namorado (uma inteligência artificial generativa) em representações visuais. “Ao mesmo tempo em que nos vincula a questões históricas, questões do mundo contemporâneo, questões brasileiras, há um desejo de que toda essa materialidade nos impulsione para esse nascimento, algo que está arrebentando e que possibilita uma produção artística que, ao mesmo tempo que bebe muito das suas fontes, da sua história, mas também está buscando referenciais tecnológicos que, em alguma medida, também vai se apoiar nesse nosso contexto, de nos entender enquanto um país”, conta Aldones Nino.

O Pavilhão Brasileiro foi idealizado como uma plataforma dinâmica. Proposto como algo que extrapola uma simples representação oficial, o projeto busca fomentar diálogos inéditos entre diferentes realidades culturais e as sensibilidades do mundo atual. “O Pavilhão brasileiro se insere como um campo de ressonância e deslocamento. Ao mobilizar a tradição antropofágica e a noção de ‘rebento’, entendida como emergência simultânea de ruptura e criação, o projeto tensiona a ideia de mudança não como resposta normativa, mas como processo instável, situado e continuamente negociado. O projeto dialoga com a premissa curatorial da Bienal de Gwangju, mas a complexifica a partir de uma perspectiva situada no Sul Global, afirmando a arte contemporânea brasileira como um espaço ativo de transformação, onde mudar não é um imperativo abstrato, mas uma prática concreta de reinvenção do mundo”, ressaltam os curadores.

SOBRE OS CURADORES

 Aldones Nino é artista e curador radicado na Espanha, desenvolve sua prática em uma rede internacional que articula curadoria de exposições e pesquisa teórica em história da arte contemporânea. Com passagem por instituições culturais e universidades nas Américas, Europa e Ásia — incluindo a Gwangju Biennale Academy, a Harvard University e o Instituto de Estudos Avançados de Nantes —, é autor de textos críticos publicados na Bienal de São Paulo, Trienal de Sorocaba, Enciclopédia Itaú Cultural e MASP, entre outros. É autor do livro Confronto e Transformação (Editora Paisagens Híbridas, 2025; ISBN 8569970560), no qual investiga a criação da Funarte e o papel da arte nas relações com o Estado na década de 1970. Seu programa curatorial investiga a historiografia da arte e a curadoria como ferramentas de enunciação crítica frente a regimes hegemônicos, propondo formas de engajamento com legados que desafiam narrativas dominantes. Atualmente, ocupa o cargo de Diretor de Programas em Collegium, em Arévalo, Espanha. É Pós-Doutorando em Sociomuseologia Pela Universidade Lusófona (Portugal), doutor em Historia y Arte pela Universidade de Granada (Espanha) e doutor em Artes Visuais pela UFRJ (Brasil), com mestrado em História, Política e Bens Culturais pela FGV (Brasil) e possui graduação em Filosofia e História da Arte. Membro do Conselho Internacional de Museus (ICOM) e do Comitê Internacional de Educação e Ação Cultural (CECA).

 Bruna Levi (Curadora Associada) é historiadora da arte formada pela Escola de Belas Artes da UFRJ e pesquisadora, com trajetória voltada à investigação de acervos artísticos e à história da crítica de arte. Mestre em História, Política e Bens Culturais pelo CPDOC da Fundação Getúlio Vargas, desenvolve pesquisa sobre a atuação do Itamaraty na projeção internacional da arte brasileira. Possui experiência em pesquisa, catalogação e gestão de acervos artísticos, com atuação em instituições e coleções como o Instituto Fayga Ostrower e os acervos de Decio Vieira, Efrain Almeida e Ivens Machado.

SOBRE A BIENAL DE GWANGJU

A Bienal de Gwangju foi reconhecida pela Artnet como uma das cinco principais bienais do mundo, ficando atrás apenas da Bienal de Veneza, da Documenta, da Whitney Biennial e da Manifesta. A Bienal de Gwangju atua como uma plataforma para que artistas contemporâneos de destaque apresentem obras experimentais e inovadoras. Desde sua edição inaugural em 1995, as exposições principais da bienal têm apresentado trabalhos de nomes relevantes como Harun Farocki, Thomas Hirschhorn, Roni Horn, Cindy Sherman, Mike Kelley e Haegue Yang. A Bienal de Gwangju também funciona como um importante espaço para artistas emergentes e estabelecidos ganharem reconhecimento no cenário da arte contemporânea internacional. Um exemplo é o Mataaho Collective, que participou da 14ª Bienal de Gwangju em 2023 e recebeu grande atenção internacional ao conquistar o Leão de Ouro na 60ª Bienal de Veneza em 2024.

O pavilhão brasileiro na Bienal de Gwangju conta com a parceria de: A Gentil Carioca, Almeida & Dale, AM, Athena, Flexa, Fortes D’Aloia & Gabriel, Gomide & Co, Inclusartiz, Lamb Gallery, Mendes Wood DM, Nara Roesler, Aoquadrado, Ginga Design, Sawi Studio e Vicente de Mello. A direção de produção fica a cargo de Rodrigo Andrade da AREA27.

Serviço: 1º Pavilhão Brasileiro na Bienal de Gwangju

Exposição “Devorações do Amanhã – Brasil em rebento”

Abertura: 5 de setembro de 2026

Exposição: até 15 de novembro de 2026

Pavilhão Brasileiro na Bienal de  Gwangju

Gwangju History & Folk Museum

Endereço: 48-25 Seoha-ro, Buk-gu, Gwangju, Coréia do Sul

Horário de visitação: Diariamente, das 9h às 18h (última entrada às 17:30). Quartas-feiras, das 9h às 20h (última entrada às 19h30).

Telefone: +82-62-613-5378

Entrada gratuita

Curadoria: Aldones Nino e Bruna Levi

Produção: AREA27

Fonte: Beatriz Caillaux

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