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Debate sobre IA na educação avança enquanto escolas públicas já usam tecnologia
CNE deve debater na próxima segunda-feira (16) uma proposta de regulamentação da inteligência artificial nas escolas. Professores do Rio de Janeiro elaboram projetos com o apoio da tecnologia.
Está previsto para segunda-feira, 16 de março, o debate da comissão do Conselho Nacional de Educação (CNE) sobre uma proposta de regulamentação da inteligência artificial nas escolas de educação básica e nas universidades.
A versão inicial do documento foi discutida em fevereiro, mas o MEC (Ministério da Educação) solicitou ajustes no texto. Entre os pontos em análise estão a inclusão da inteligência artificial no currículo dos estudantes e o uso pedagógico da ferramenta por professores, tanto na educação básica quanto no ensino superior.
“Estudos recentes, como um levantamento da Universidade de Stanford, mostram que o uso da inteligência artificial pelos alunos sem intencionalidade pedagógica tende a gerar resultados apenas no curtíssimo prazo. Por isso, a regulamentação em discussão no CNE é importante para reforçar que a IA deve ser usada de forma responsável e como uma ferramenta a serviço do professor, mediada pelo educador. O próximo passo é avançar também para políticas públicas que garantam formação e condições para que os docentes utilizem essa tecnologia nas escolas”, afirma o Diretor de Produto Educacional do Grupo Eureka, Igor Ventura.
A proposta é resultado de cerca de um ano e meio de debates entre especialistas. Após a votação na comissão do CNE, o texto será submetido à consulta pública e posteriormente analisado pelo plenário do conselho. Caso aprovado, seguirá para homologação do ministro da Educação.
Redes públicas
Enquanto o país discute as regras para o uso da tecnologia nas salas de aula, algumas redes públicas já testam, na prática, como a inteligência artificial pode colaborar com o processo de ensino e aprendizagem.
No Rio de Janeiro, por exemplo, todas as escolas da rede estadual foram visitadas por equipes de formação para apresentar o uso da inteligência artificial com intencionalidade pedagógica a professores e gestores.
Estudantes e educadores contam desde maio de 2024 com a ProfessorIA, uma inteligência artificial disponível na plataforma e-Rio. Inspirada em professores reais, a ferramenta utiliza avatares que interagem com os estudantes de forma personalizada. O principal avatar, Maria de Fátima, responde a dúvidas gerais, enquanto outros módulos atendem temas específicos, como recomposição de aprendizagem, Educação de Jovens e Adultos (EJA) e educação inclusiva.
A ferramenta, desenvolvida pelo Grupo Eureka, registra mais de 134 mil interações, com mais de 25 mil professores e cerca de 130 mil estudantes cadastrados. Moderada por educadores, a ProfessorIA conta com uma equipe de professores especializados, responsáveis por garantir a qualidade e a pertinência dos conteúdos. A ferramenta também oferece aulões virtuais ao vivo, voltados ao aprofundamento de temas e à resolução de dúvidas.
Experiências dos professores
No Colégio Estadual Castelnuovo, no Rio de Janeiro (RJ), a sala de leitura foi transformada em um espaço dedicado ao desenvolvimento da escrita com apoio da inteligência artificial. O projeto “Giroteca Ativa”, idealizado pelo professor Eduardo Tavares, atende estudantes do Ensino Médio e da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e tem como foco a preparação para a redação do Enem.
A iniciativa surgiu a partir de uma demanda dos próprios alunos, especialmente do EJA, que solicitaram mais atividades voltadas à leitura e à produção textual. A partir disso, professores de Língua Portuguesa estruturaram uma sequência de atividades voltadas à construção da dissertação argumentativa exigida no exame, utilizando a ferramenta de inteligência artificial ProfessorIA como apoio na elaboração das propostas pedagógicas e no planejamento das atividades.
“A gente trabalha muito com projetos na escola e a inteligência artificial tem nos ajudado a antecipar dúvidas e simular perguntas que os próprios alunos fariam ao longo das atividades. Isso facilita o planejamento das aulas e permite desenvolver melhor as propostas pedagógicas”, explica o professor Eduardo Tavares. Segundo ele, os próprios estudantes também passaram a utilizar a ferramenta em atividades de pesquisa e desenvolvimento dos projetos.
Outra experiência vem de Niterói (RJ), no Colégio Estadual Machado de Assis, onde o professor de Biologia Henrique Costa passou a utilizar a ProfessorIA para aproximar os estudantes do formato das principais provas de acesso ao ensino superior. Durante as próprias aulas, ele aplica simulados e exercícios inspirados em provas anteriores do Enem e dos vestibulares estaduais.
Com o apoio de uma plataforma digital com banco de questões e recursos de inteligência artificial, o docente consegue montar listas personalizadas e ajustar o nível de dificuldade das atividades de acordo com o perfil de cada turma. A estratégia permite que os estudantes tenham contato frequente com o modelo das avaliações e utilizem a tecnologia como apoio na preparação para os exames.
“A inteligência artificial facilita muito o planejamento das atividades. Eu utilizo para montar listas de exercícios, elaborar provas e até adaptar textos para alunos que precisam de uma abordagem diferenciada. Hoje é uma ferramenta que ajuda bastante no dia a dia da sala de aula e também permite ensinar os alunos a usar a tecnologia de forma responsável”, afirma Henrique Costa.
Fonte: Igor Assessor de imprensa

