Educação Sensorial
Você sabia que as pessoas sentem de um modo diferente do seu? Já parou para refletir sobre este assunto? Alguma vez já se viu debatendo a cor de uma blusa ou objeto com um amigo ou familiar?
Onde uma pessoa enxerga verde a outra pode ver cinza ou azul? Agora imagine ampliar a diferença muitas vezes. Para imensa maioria dos leitores, andar na rua, entrar em um mercado para comprar frutas, pagar uma conta no banco são atividades diárias que não exigem mais nada do que uma boa dose de paciência algumas vezes.
Mas, para um autista que pode ter duas, três, quatro, cinco vezes mais sensibilidade a sons, cheiros, luzes do que você sente, estar em um ambiente destes pode causar sobrecarga sensorial, devido ao cérebro dos autistas serem diferentes. Possuem mais neurônios, mais massa branca, mais comunicação em algumas áreas, tornando todo o seu corpo muito mais sensível aos estímulos externos.
É comum o excesso de estímulos causar dor nos autistas. Por este motivo nas filas o autista têm atendimento prioritário, a frente de todos os outros atendimentos preferenciais. Para todos os outros preferenciais, ficar um pouco mais de tempo não vai gerar o dano e as dores que podem causar em um autista quando exposto a ambientes não acessíveis. Principalmente a luz branca, presente em quase todos os ambientes hoje em dia, pois quanto mais tempo ele fica na fila recebendo este estímulo, mais dor ou maior desregulação ou até mesmo uma crise ele pode ter. Portanto, se percebeu um autista na fila, dê prioridade. Além de lei é uma forma de inclusão e de auxílio as questões sensoriais que acometem mais de 80 % dos autistas. Se está sentado em um banco preferencial ou não, dê preferência a quem precisa. E a luz branca é a pior, a que causa mais dano. E, portanto, é a utilizada em quase todos os lugares. Banco, supermercado, clínicas e hospitais. Deste modo, esta é a importância do atendimento prioritário do autista, reduzir danos e evitar causar dor a ele.
Portanto se está no elevador conversando com outra pessoa e entra alguém com cordão de quebra-cabeça, de girassóis ou o cordão do infinito, com abafador (fones de ouvido) e óculos escuros, esta pessoa tem hiperestesia. Ou seja, capta muitos estímulos do ambiente. E provavelmente está evitando ou tendo que realizar diversas ações estando em sobrecarga sensorial.
Diminua o volume da sua voz, é um modo de tornar aquele ambiente do elevador mais acessível. Se está em uma clínica, hospital, padaria, evite conversar muito alto se alguém com cordão, óculos escuro e fones de ouvido estiver no mesmo ambiente. Pode parecer simples para você, mas é uma excelente forma de incluir sensorialmente aqueles que estão a sua volta, nem que seja por breves instantes ou alguns minutos.
Para você é um instante, mas para os autistas pode representar um dia sem crise, sem dor, sem desregulação. Por ter que fazer, mesmo com sobrecarga sensorial, atividades que para a maioria dos leitores é comum e cotidiana, como comprar pão na padaria. É que para os autistas requer as vezes horas de preparação para conseguir o feito. Acessibilidade só é possível quando o gesto e ação do outro segue o caminho correto das palavras e do coração.
Fonte: SEPTH (Especialista em Neurodivergência, terapeuta, psicanalista, jornalista)
