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Foto: Divulgação

O Navega RJ mostra como informação e acolhimento fazem a diferença na vida de mulheres durante o enfrentamento da doença

Quando Elizete Silva de Oliveira, 65 anos, recebeu o resultado de um exame suspeito, em agosto de 2025, a preocupação foi imediata. Técnica em contabilidade e maquiadora profissional, ela sabia que o diagnóstico poderia mudar radicalmente a rotina e a vida. O que a moradora de Bangu não esperava era que, junto com a confirmação do câncer de mama, viesse também um acompanhamento constante, humano e esclarecedor.

“O diagnóstico saiu em outubro de 2025. Desde então, o Navega RJ, no Rio Imagem Centro, orienta todos os próximos passos, como a realização de exames, encaminhamentos e definição de hospitais. Existe tratamento e existe cura. É isso que a navegação nos repete desde o início”, conta ela.

Elizete é uma das mulheres assistidas pelo Navega RJ, programa do Governo do Estado do Rio de Janeiro que atua para reduzir o abandono do tratamento do câncer de mama por meio de acompanhamento individualizado desde o diagnóstico até o início do tratamento. Neste Dia Mundial do Câncer (4/2), o programa completa três meses após a ampliação para as unidades do Rio Imagem Centro e Baixada. 

Criado em 2017 no Hospital Estadual da Mulher Heloneida Studart, em São João de Meriti, o Navega RJ, idealizado pela médica Sandra Gioia, foi pioneiro na rede pública brasileira ao estruturar a navegação de pacientes no Sistema Único de Saúde (SUS). Para a secretária de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, Claudia Mello, o programa representa uma mudança concreta na forma de cuidar das mulheres com câncer de mama.

“Desde a criação do programa, já foram navegadas 1.227 mulheres, garantindo que elas não se percam no caminho entre o diagnóstico e o tratamento. Esse acompanhamento muda histórias, reduz o abandono e dá às pacientes a informação e o apoio necessários para seguir em frente em um dos momentos mais difíceis de suas vidas. É um diagnóstico muito difícil, mas o programa vem mudando como a mulher enfrenta”, ressalta a gestora.

Com investimento anual de R$ 1,2 milhão, a ampliação do programa, entre outubro de 2025 e janeiro de 2026, acompanhou 524 mulheres. Em 2024, a incidência de câncer de mama foi de 11,08 casos por 100 mil habitantes, com aumento de 38% na última década. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), de 90% a 92% dos casos diagnosticados precocemente têm tratamento favorável.

Quando o medo e a desinformação afastam mulheres do tratamento
Receber um diagnóstico de câncer de mama costuma vir acompanhado de medo, insegurança e desinformação. Muitas mulheres relatam dificuldades para interpretar o resultado de exames, lidar com prazos, acessar serviços e manter o equilíbrio emocional. Esse conjunto de fatores é uma das principais causas do abandono ou do atraso no início do tratamento.

Foi esse cenário que a vendedora de automóveis Karina Silva, de 40 anos, encontrou ao ouvir, pela primeira vez, a palavra “câncer” na rede pública de saúde. Casada e mãe de uma menina de 4 anos, ela lembra que o acolhimento recebido fez toda a diferença em um dos momentos mais delicados de sua vida.

“Recebi o diagnóstico em outubro de 2025, quatro dias antes do meu aniversário. Foi uma notícia muito dolorosa, o impacto foi grande, porque ninguém está preparado para ouvir algo assim. Mas o acolhimento que recebi no Navega RJ fez toda a diferença”, diz a paciente do Rio Imagem Baixada e moradora de Mesquita.

Durante o tratamento, o apoio da família tem sido fundamental para Karina. “Quando meu cabelo começou a cair, minha família inteira raspou a cabeça comigo. Além do acolhimento do Navega, esse apoio fez toda a diferença. No momento do diagnóstico, eu já estava sendo orientada, com exames marcados e a garantia de que o tratamento realmente aconteceria”, conclui.

E, de fato, o tratamento começou, conforme determina a Lei nº 12.732, de 22 de novembro de 2012, conhecida popularmente como a “Lei dos 60 dias”. O paciente com neoplasia maligna comprovada tem direito de começar o tratamento (cirurgia, quimioterapia ou radioterapia) em, no máximo, 60 dias após o diagnóstico firmado. O prazo começa a ser contado a partir da data em que o diagnóstico é registrado no prontuário médico e informado ao paciente.
Quem também já iniciou o tratamento é a dona de casa Lúcia Capini, de 59 anos, diagnosticada em janeiro deste ano. Ela conta que a notícia foi um choque, mas destaca o papel do Navega RJ ao oferecer orientação e apoio para enfrentar a doença. “Quando busquei o resultado dos exames e recebi o diagnóstico, foi assustador. O acolhimento inicial do Navega é fundamental, porque o tratamento pode ser longo e envolve mudanças no corpo e na aparência, como a perda do cabelo, que mexe muito com a mulher e com a nossa identidade”, relata a paciente do Rio Imagem Baixada, moradora de Volta Redonda, no sul do estado.
Profissionais que transformam medo em orientação e esperança

Confiantes na cura, as pacientes do Rio Imagem Centro vêm sendo assistidas pelas navegadoras Aline Sampaio e Lucia Brigagão, enfermeira e assistente social, respectivamente. Para as profissionais, o programa vem cumprindo um papel social. 

“O Navega RJ tem como proposta promover o acolhimento das pacientes de forma integral, orientando quanto aos processos de tratamento, desmistificando tabus e preconceitos que envolvem a doença, além de fortalecer a importância da adesão ao tratamento no resgate da qualidade de vida e saúde”, diz Lucia Brigagão.

Responsável pela navegação no Rio Imagem Baixada, a também assistente social Fátima Mariah Pereira completa: “Buscamos que elas saiam daqui com a certeza de que aquele diagnóstico não é uma sentença de morte. A navegação vai acompanhar essa paciente desde o início, orientar, organizar o percurso e seguir junto com ela. Ela precisa se sentir amparada, informada e cuidada em todas as etapas. Transformamos o medo inicial em confiança e esperança, mostrando que elas não estão sozinhas nessa jornada”, conclui.

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Fonte: Assessoria de Imprensa Secretaria de Estado de Saúde – RJ

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