As tecnologias por trás dos avanços digitais, no caso das imagens, estiveram relacionadas às pesquisas científicas no campo da física (ótica e eletrônica) dos anos 1950 e 1960 que permitiram a criação de novos sensores eletrônicos de captação de imagens (chamados CCD e CMOS). Dali em diante, as pesquisas avançaram no sentido de novos suportes de armazenamento de imagens (computadores, K7, disquetes, por exemplo), possibilitando conhecimentos que levaram ao surgimento de novas câmeras com tecnologia digital (anos 1970 a 1980) e, posteriormente, o desenvolvimento de produtos industriais pelas empresas especializadas.
Em paralelo a esse processo, nos anos 1990 e 2000, foram surgindo as câmeras de cinema digitais (Sony HDW-F900 e Delsa Origin, por exemplo), impactando as formas de captação das imagens, assim como armazenamento, tratamento, edição e divulgação, além de profissionais, usuários e empresas (como a Sony e a Panassonic) dos mais diversos segmentos do setor. Além disso, as pesquisas avançaram para o desenvolvimento de softwares para tratamento e edição de imagens, como o Adobe Premiere Pro, por exemplo, que foram incrementados com a Inteligência Artificial (IA) mais recentemente.
Deste modo, no final da década de 1990, os filmes começaram a ser produzidos, tratados, editados e publicados em meio digital, mesmo com resistência dos cineastas mais céticos, revolucionando as etapas captações de imagens, sons, edições e efeitos, permitindo o acesso a um maior número de profissionais envolvidos, barateando os custos e popularizando ainda mais o cinema pelo mundo (vide produções no Brasil, Índia, Irã e outros), que passou a contar, nos últimos tempos, com as novas plataformas de streaming além das tradicionais salas de exibição e das televisões.
Neste sentido, os benefícios foram relevantes e tiveram significativos impactos sociais, culturais e econômicos, na medida em que a difusão da linguagem cinematográfica digital permitiu também a maior difusão de comportamentos, memórias, conhecimentos, saberes, técnicas, narrativas, histórias e outros que compõem as mais diversas sociedades pelo mundo, desde os filmes de ficção até os documentários.
Portanto, as tecnologias digitais permitiram uma nova dinâmica para o cinema, desde a captação das imagens até as exibições das produções, desenvolveram novas culturas cinematográficas e colocaram o cinema em um novo patamar na indústria cultural por todo o mundo.
Fonte: Marcos Santana
