Panmela Castro__Carolina Maria de Jesus (2025),Foto/divulgação: _ Giovanna Lanna]
Exposição no espaço cultural Les Jardiniers, em Montrouge, destaca protagonismo de mulheres negras na luta por direitos na triangulação Atlântica Brasil, França e Senegal
Termina nesta sexta-feira, dia 31 de outubro, a exposição “Retratos Relatos: Revisitando a História”, da artista Panmela Castro, no espaço cultural Les Jardiniers, em Montrouge, região metropolitana de Paris. Com curadoria de Maybel Sulamita, a mostra integra a programação oficial da Temporada Brasil-França 2025 e reúne 15 pinturas inéditas que contam a história de mulheres negras do Brasil, da França e do Senegal que lutaram pelo avanço dos direitos femininos.

Entre as figuras retratadas estão nomes como a intelectual brasileira Lélia González e a escritora brasileira Carolina Maria de Jesus; a cineasta senegalesa Safi Faye e a famosa cantora francófona Josephine Baker, cujas trajetórias são revisitadas e recontadas a partir de uma visão contemporânea. Dessa forma, a exposição propõe um exercício de reimaginação das narrativas sobre essas mulheres.
“Retratos Relatos surgiu das histórias que as mulheres contavam para mim. Comecei a transformar esses relatos em retratos, e este foi um projeto que circulou por muitos lugares do Brasil. Para a Temporada Brasil-França, escolhemos mulheres que já não estão mais vivas para contar suas histórias, mas que ainda assim são importantes de serem contadas”, afirma a artista Panmela Castro.
De acordo com a curadora e doutora em história, Maybel Sulamita, essa escolha foi complexa: “Selecionar apenas 15 mulheres para abordar questões tão profundas foi um desafio — poderiam ser muitas outras. Mas as escolhidas são especiais, porque cada uma delas construiu novas formas de resistir, e suas histórias nos levam a pensar em quantas outras mulheres negras deveriam ser reconhecidas.”

As pinturas expostas são acompanhadas de relatos biográficos com informações acessíveis sobre a vida, o legado e a relevância dessas mulheres.
Durante a exposição, Panmela participou de uma residência artística na instituição, com o objetivo de conviver com a comunidade local e promover o intercâmbio entre as culturas. A residência transformou o espaço expositivo em um ateliê vivo, onde o público pode conviver e acompanhar o processo criativo da artista. Nessa residência, Castro desenvolveu três novos retratos para a exposição: o da cientista da computação senegalesa Rose Dieng-Kuntz; o de Alice Mathieu-Dubois, primeira mulher negra francesa a se formar em Medicina; e o da defensora dos direitos humanos brasileira Alessandra Makkeda.
Em sintonia com o espírito da Temporada Brasil-França, “Retratos Relatos” propõe um encontro entre culturas e histórias, articulando o conceito de Atlântico Negro, em referência ao sociólogo Paul Gilroy. Nesse espaço simbólico, vozes negras se entrelaçam, reforçando a centralidade das mulheres negras na construção de sociedades mais justas e plurais.
“Escolher o retrato como linguagem é, por si só, um ato político”, observa a curadora. “Panmela inverte a lógica da história da arte ao colocar essas mulheres no centro da imagem, com seus traços, que muitas vezes foram silenciados. O que está em jogo aqui é a afirmação da memória como território de disputa e de reexistência.”

Reconhecida por sua atuação na fronteira entre arte e direitos humanos, Panmela Castro traz para a exposição sua experiência como fundadora da Rede NAMI, organização voltada ao empoderamento feminino por meio da arte urbana, que celebra 15 anos em 2025. Com obras em acervos importantes no Brasil e no exterior, incluindo o MASP e a Pinacoteca, onde possui trabalhos em exibição, Panmela acumula prêmios e homenagens internacionais, entre eles o DVF Awards, o título de Young Global Leader pelo Fórum Econômico Mundial e a Medalha da Ordem ao Mérito Cultural Carioca.
TEMPORADA BRASIL-FRANÇA 2025
Após o encontro realizado em junho de 2023 em Paris, os presidentes Emmanuel Macron e Luiz Inácio Lula da Silva decidiram organizar a Temporada Brasil-França 2025 para dar um novo impulso à relação bilateral, reforçar nossas respostas comuns diante dos desafios políticos, sociais e ecológicos de nosso tempo e apresentar a riqueza e a diversidade da criação contemporânea dos dois países.
Essa nova Temporada é construída em torno de três temas: o clima e a transição ecológica, a diversidade das sociedades e o diálogo com a África, a democracia e a globalização justa.

A Temporada ocorrerá na França de abril a setembro de 2025 e no Brasil de agosto a dezembro de 2025. Ela é realizada pelo Instituto Guimarães Rosa (responsável pela programação brasileira na França) e pelo Institut Français (responsável pela programação francesa no Brasil), em estreita colaboração com a Embaixada do Brasil na França e a Embaixada da França no Brasil, sob a égide dos ministérios das Relações Exteriores e da Cultura dos dois países. O Comissariado-Geral da Temporada França-Brasil 2025 foi confiado, para a programação brasileira na França, ao senhor Emilio Kalil, e, para a programação francesa no Brasil, à senhora Anne Louyot.

Serviço: Últimos dias exposição “Retratos Relatos: Revisitando a História”, de Panmela Castro
Até 31 de outubro de 2025
Les Jardiniers – 9/11 rue Paul Bert — Montrouge, França
Curadoria: Maybel Sulamita
Entrada franca | Classificação indicativa: livre
De terça a sexta-feira, das 11h às 23h
Sábado das 14h às 18h.
Domingo das 10h às 18h
Pinturas ao vivo com a presença do público: 21 e 27 de setembro e 5 de outubro, sempre às 15h.
Evento realizado no âmbito da Temporada Brasil-França 2025
Patrocínio: Banco do Brasil
Fonte: Beatriz Caillaux
