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No galpão da Prefeitura, no Barreto, o som do ferro, a cola quente e a criatividade ecoam entre alegorias e carros em construção. É lá que 23 das 25 escolas que desfilarão no Caminho Niemeyer, nos dias 6, 7 e 8 de fevereiro, transformam sonhos em realidade. Mais do que preparar o espetáculo deste ano, elas começam a colocar em prática um projeto de futuro: a criação da Escola do Ventre. A proposta, apoiada pela Prefeitura de Niterói, por meio da Neltur, da Secretaria das Culturas e da Secretaria de Governo, quer profissionalizar ainda mais o Carnaval da cidade e torná-lo um polo gerador de renda e oportunidades ao longo do ano. O projeto será coordenado pela União das Escolas de Samba de Niterói.
“O Carnaval de Niterói deixa um legado que vai muito além dos desfiles. Ele movimenta a economia local, fortalece a cultura popular, forma profissionais e cria oportunidades ao longo de todo o ano. Esse é o olhar da Prefeitura: transformar tradição em desenvolvimento, cultura em trabalho e criatividade em renda”, destaca o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves.
Ao final do Carnaval de 2026, quando as plumas e paetês voltam para o barracão, o grupo escolhe a fazer o que já é uma tradição: escolher o que pode ser reaproveitado e desmontar os carros. Mas, desta vez, com um foco diferente. No mês de março, o espaço receberá a ser preparado para que os escritórios da Escola do Ventre possam receber, em média, 60 aprendizes.
Eles serão escolhidos pelas agremiações e entre as comunidades para aprender um pouco de tudo. Do artesanato à costura e à soldagem, poderá até se tornar carnavalescos no futuro. A ideia é que aprendam a ser empregados pelas próprias escolas, ganhando com o Carnaval ao longo do ano e, assim, sucessivamente, produzindo novos adereços.

“Estamos apoiando o projeto Ventre do Samba porque acreditamos e enxergamos o Carnaval como uma política sólida de cultura e de geração de emprego e renda. A cada ano estamos oferecendo cada vez mais apoio e estrutura para que as escolas possam apresentar na avenida um carnaval organizado e de qualidade. Queremos nosso Carnaval com muito profissionalismo, fazendo as comunidades se envolverem, o Carnaval crescer e a cidade brilhar”, afirmou o secretário de Governo e presidente da Comissão de Carnaval, Paulo Bagueira.
A união entre as escolas é um diferencial. Um grupo ajuda o outro, e a competição fica para a Avenida. Materiais são compartilhados, técnicas são ensinadas e histórias são trocadas entre costureiras, aderecistas, ferreiros e jovens aprendizes.
“Essa é a semente que estamos plantando. Não é só Carnaval de um dia, mas um movimento que transforma vidas o ano inteiro. Esse espaço é um símbolo de união. Aqui as escolas se ajudam, trocam profissionais, reúnem tintas, tecidos e ideias. É um grande workshop da cultura popular”, Marcelo de Serpa, presidente da União das Escolas de Samba de Niterói (Unes).
Ao falar do projeto Escola do Ventre, Rosane Gracietti, diretora financeira e administrativa da União das Escolas de Samba, explica que a proposta é abrir escritórios para membros das agremiações e moradores das comunidades do entorno.

“Cada uma das 25 escolas vai indicar duas ou três pessoas, da própria escola ou da comunidade onde está inserida. A ideia é profissionalizar essa mão de obra para que essas pessoas já saiam empregadas e trabalhando com amor ao longo do ano. É a prata da casa sendo valorizada. Quando você forma o seu próprio profissional, o dinheiro circula dentro da escola, a família cresce junto e o Carnaval vira reconhecimento, renda e pertencimento. Carnaval é família. A gente só é competitiva quando entra na Avenida”, disse Rosane Gracietti.
Para o presidente da Neltur, André Bento, o Carnaval de Niterói é muito mais do que aquela festa: é uma poderosa especialização de geração de emprego e renda que movimenta as comunidades ao longo de todo o ano.
Em 2025, cerca de 250 mil foliões participaram do Carnaval da cidade. Apenas os desfiles das escolas de samba, no Caminho Niemeyer, reuniram mais de 60 mil pessoas ao longo de dois dias. Esse impacto se reflete na atividade turística: a rede hoteleira de Niterói registrou 100% de ocupação durante o período, beneficiando diretamente hotéis, bares, restaurantes, ambulantes e mencionados de serviços.

André Bento lembra que o alcance do Carnaval vai além das ruas. As parcerias ao vivo realizadas pelos canais oficiais da Prefeitura, incluindo o YouTube, somaram mais de 100 mil visualizações, ampliando a visibilidade das escolas, dos artistas e da cidade. Espectadores de diversos países assistiram e comentaram nas específicas.
Esse investimento na economia local, a valorização cultural e a inclusão produtiva fazem parte de uma política pública que fortalece territórios, gera oportunidades e reafirma o Carnaval como um ativo estratégico de desenvolvimento econômico, social e turístico para Niterói durante todo o ano.
Antes mesmo do início dos escritórios, a Escola do Ventre já oferece oportunidades de emprego para diversas pessoas das comunidades. Ela já recebe voluntários que sonham em conquistar um trabalho certificado e se tornar um profissional do Carnaval.
Edílio Júnior já é veterano no Carnaval e construiu uma trajetória marcada pela dedicação e experiência no universo carnavalesco.
“Trabalho com Carnaval há cerca de 12 ou 13 anos. Iniciei meu projeto na Mangueira, no Rio de Janeiro. Ao longo da minha trajetória, já trabalhei com nomes importantes como Max Lopes, Renato Lage e Rosa Magalhães. Tenho, portanto, uma experiência consolidada na área. Meu trabalho aqui é sazonal. Costumo começar por volta do mês de novembro e sigo até o período do Carnaval. A rotina é bastante intensa e corrida, mas muito excitante. Gosto muito do que Faço. O espaço já oferece oportunidades, mas vem crescendo e se desenvolvendo cada vez mais. O Carnaval hoje está sendo visto com um novo olhar, mais sério e valorizado”, destacou.
Além do valor cultural e social, o Carnaval se consolida como uma importante porta de entrada para a nova geração, que busca oportunidades para aprender, se profissionalizar e brilhar nos bastidores.
Alédio da Silva de Oliveira, morador do bairro do Fonseca, em Niterói, tem 18 anos e representa a nova geração que encontra no Carnaval uma oportunidade de aprendizado e crescimento profissional. Há cerca de dois anos, ele atua no barracão, onde vem construindo sua trajetória e adquirindo experiência.
“Trabalhar com Carnaval é intenso, principalmente quando chega o mês de janeiro e a rotina fica mais emocionante. Mesmo assim, é uma experiência muito boa e prazerosa, especialmente para quem gosta do que faz. Além do Carnaval, eu estudo. Durante esse período, o trabalho gera muito aprendizado. Aqui dentro a gente aprende diversas coisas, convive com muitas pessoas e recebe ensinamentos de quem já tem mais experiência, o que faz toda a diferença. Finja me inscrever para as oficinas no próximo ano. Para o futuro, quero continuar no Carnaval como profissional”, completa Alédio.
Série Ouro (Sexta-feira – 02/06/2026)
20h: Cacique da São José
20h40: Unidos da Região Oceânica
21h30: Unidos do Sacramento
22h10: Banda Batistão
22h50: Paraíso do Bonfim
23h30: Garra de Ouro
00h10: Combinado do Amor
00:50: Tá Rindo Por Quê?
Grupo Especial (Sábado – 02/07/2026)
20h00: Sabiá
20h45: Império de Araribóia
21h30: Império de Charitas
22h15: Alegria da Zona Norte
23h05: Souza Soares
23h50: Folia da Viradouro
00h35: Magnólia Brasil
01h20: Experimenta da Ilha da Conceição
Série Prata e Avaliação (Domingo – 02/08/2026)
Série Prata:
18h: Data Venia Doutor
18h35: Galo de Ouro
19h10: Bem Amado
19h45: Mocidade Independente de Icaraí
20h20: Acadêmicos da Ponta da Areia
20h55: Balanço do Fonseca
Grupo de Avaliação:
21h30: América Samba e Paixão
22:00: Bugres do Cubango
22h30: Acadêmicos do Largo da Batalha
