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Muita gente pensa que a gratidão é algo benéfico espiritual, mas ela é uma ferramenta poderosa de autocuidado mental, alertou a neuropsicóloga Dra. Leninha Wagner
A gratidão costuma ser associada a valores espirituais, religiosos ou a um traço de personalidade otimista, mas nas últimas décadas, esse sentimento passou a ser treinado de forma sistemática pela psicologia e pelas neurociências, revelando impactos concretos na saúde mental.
Longe de ser apenas um gesto simbólico, a gratidão pode funcionar como uma estratégia eficaz de autocuidado emocional em um mundo marcado por pressão, cobranças constantes e altos níveis de estresse.
“Muita gente pensa que a gratidão é algo de esforço espiritual, mas ela é uma poderosa ferramenta de autocuidado mental. O simples ato de reflexão aspectos positivos da vida ajuda o cérebro a reorganizar o foco da atenção, reduzindo a tendência natural de fixação em ameaças, perdas e frustrações”, alerta a neuropsicóloga Dra. Leninha Wagner .
O cérebro ‘grato’
Do ponto de vista cerebral, a prática da gratidão ativa áreas específicas relacionadas à regulação emocional, como, por exemplo, o córtex pré-frontal, além de sistemas de influência neurais ligados à recompensa.
Estudos indicam que pessoas que cultivam esse hábito apresentam maior liberação de neurotransmissores associados ao bem-estar, como a dopamina e a serotonina. Esse processo contribui para a sensação de satisfação, capacidade de equilíbrio emocional e maior capacidade de lidar com as adversidades.
Em contextos de ansiedade e estresse, a gratidão atua como um contraponto cognitivo importante. Ao direcionar a atenção para experiências positivas, mesmo que pequenas, o cérebro reduz o estado de alerta constante, típico de quadros ansiosos. Esse efeito não elimina problemas reais, mas favorece uma postura mental mais adaptativa, menos reativa e mais consciente diante das dificuldades do cotidiano.
Boas relações sociais
Outro ponto importante é que a gratidão seja de qualidade nas relações sociais. Pessoas que expressam reconhecimento e apreço tendem a fortalecer vínculos, melhorar a comunicação e criar ambientes emocionalmente mais seguros.
“Esse aspecto é fundamental para a saúde mental, já que o senso de pertencimento e conexão social funciona como fatores protetivos contra, por exemplo, a depressão, a solidão e o sofrimento psíquico”.
“A gratidão também está associada às melhorias no sono, um dos pilares da saúde mental. Ao reduzir pensamentos ruminativos e a autocobrança excessiva no fim do dia, o cérebro mais facilidade para desacelerar, favorecendo o relaxamento necessário para um descanso de qualidade”.
“Apesar dos benefícios comprovados, a gratidão não deve ser confundida com negação de emoções difíceis. A prática saudável não invalida sentimentos como tristeza, raiva ou frustração, mas amplia o repertório emocional, permitindo que o indivíduo reconheça tanto os desafios quanto os aspectos positivos de sua trajetória”, alerta a Dra. Leninha Wagner.
